Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

PSDB deve imitar PMDB e manter grupo na base aliada mesmo com desembarque, diz analista

Para o cientista político Marco Antônio Teixeira, sigla deve adotar um comportamento parecido com o do próprio PMDB durante os governos tucanos e petistas

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2017 | 18h24

SÃO PAULO - O alinhamento de parte do PSDB com o governo do presidente Michel Temer é tão grande que o partido não deve conseguir manter a unidade caso um eventual desembarque do governo da gestão federal seja anunciado, acredita o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira. Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a sigla deve adotar um comportamento parecido com o do próprio PMDB durante os governos tucanos e petistas, quando mantinha alas governistas e oposicionistas.

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"O governo Temer foi muito importante (por exemplo) na manutenção do mandato de Aécio Neves, então acho que daqui para frente, mesmo que o PSDB saia do governo, vai ter uma parcela que vai se manter", analisou Teixeira. "Então, vai ficar bem parecido com o PMDB. Se voltarmos lá atrás, o PMDB sempre teve um grupo palaciano e um de oposição", lembrou, notando que esse comportamento peemedebista perdura até hoje, com um pequeno grupo de parlamentares votando à revelia do direcionamento do Planalto.

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A ideia do desembarque do PSDB da base aliada foi retomada publicamente por integrantes do partido após a derrota da segunda denúncia contra Temer na Câmara. No domingo, 5, em artigo publicado no Estado de S.Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso alertou que o partido corre o risco de ser coadjuvante nas eleições do ano que vem caso não deixe logo a base aliada.

"Há um ponto crítico e alguma decisão deverá ser tomada: ou o PSDB desembarca do governo na convenção de dezembro próximo, e reafirma que continuará votando pelas reformas, ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória [em 2018]", escreveu FHC.

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Na visão de Teixeira, as declarações de FHC podem ajudar no desembarque do grupo tucano mais oposicionista, que também conta com nomes como o do senador Tasso Jereissati e do governador de Goiás, Marconi Perillo - ambos cotados para assumir a presidência do partido em dezembro -, e do líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli (SP).

Porém, acrescenta o cientista político, a ala governista que se reúne ao redor do senador Aécio Neves e dos quatro ministros tucanos também se mostra muito "cristalizada", o que deve escancarar um racha que já existe na prática. "Basta ver a votação da segunda denúncia na Câmara, literalmente o resultado foi meio a meio", lembrou.

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Para Teixeira, é pouco provável que o PSDB se livre da marca governista, mesmo anunciando um desembarque parcial em dezembro. "Se passar disso, o efeito (eleitoral) vai ser nulo", acrescentou.

FHC. O professor da FGV acredita que divisões internas do PSDB são maiores do que o cálculo eleitoral para 2018 e refletem uma perda de identidade programática do PSDB, que nasceu defendendo a social-democracia mas que hoje abriga quadros distantes desse ideal. Nesse sentido, continuou, o ex-presidente tem sido cauteloso e tem moderado suas aparições, justamente para não aprofundar esse quadro.

"O FHC é uma bússola do partido para a opinião pública. (Mas) se ele começa a polarizar para um lado, ele corre o risco de aguçar o conflito permanente no partido e contribuir para uma desagregação ainda maior", disse.

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