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PSDB destaca ligação entre presidente da Conab e fraude no exame da OAB

Para o líder do partido na Câmara, Duarte Nogueira, suposto envolvimento de chefe da Companhia Nacional de Abastecimento com quadrilha mostra falta de critério do PT na escolha dos servidores

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 16h02

BRASÍLIA - O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), informou que a oposição vai acompanhar "com lupa" as investigações sobre o suposto envolvimento do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Evangivaldo Moreira dos Santos, com a quadrilha que fraudava o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "É mais um fato grave a demonstrar a falta de critério do PT na escolha de dirigentes para a máquina pública", disse ele.

 

Por enquanto, segundo o parlamentar, não dá para exigir a demissão do dirigente porque o fato denunciado é anterior à posse dele na Conab e ainda está em fase de julgamento. "Estamos atentos ao desfecho desse caso e também às investigações sobre irregularidades na estatal. Se surgirem novos fatos, vamos avaliar as medidas judiciais e administrativas cabíveis", afirmou. Para ele, Santos é fruto do modo fisiológico de governar adotado pelo PT desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Após o escândalo do mensalão, disse o parlamentar, o governo Lula "resolveu lotear o governo e entregar nacos do poder aos partidos da base". Com isso, acrescentou, "os partidos passaram a designar livremente ministros e dirigentes de estatais sem levar em conta a formação técnica, o currículo, o planejamento público e o controle de metas e resultados". Para ele, esse método de montar estrutura de governo "é altamente prejudicial ao País e à administração pública".

 

Investigado em inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), o mensalão consistia na distribuição de propina entre parlamentares e partidos da base para garantir apoio aos projetos do governo. O esquema, conforme denúncia do Ministério Público, seria comandado de dentro do Palácio do Planalto pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, um dos réus do processo, que nega a acusação.

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público, em 2006, quando era presidente da Agência Ambiental de Goiás, Santos foi flagrado em conversas telefônicas, grampeadas com autorização judicial, repassando informações sigilosas do concurso da OAB para facilitar a aprovação de João José de Carvalho Filho, seu subordinado.

 

As interceptações mostraram que ele entrou em contato com os fraudadores por intermédio da secretária da Comissão de Estágio e Exame da Ordem, Maria do Rosário Silva. Revelaram ainda que ele pagou entre R$ 10 mil e 15 mil para aprovar o protegido nas duas fases do exame.

 

Respaldo. Sobrevivente até agora da faxina desencadeada no Ministério da Agricultura em agosto, quando caiu o ministro Wagner Rossi, o presidente da Conab é afilhado político do líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO). Ele foi denunciado pelos crimes de supressão de documento público, uso de documento falso e violação de sigilo funcional. Durante a crise na Agricultura, a limpeza na Conab foi colocada como prioridade da faxina determinada por Dilma.

 

Santos entrou na lista de demissionários, mas acabou sobrevivendo. Na Conab, que administra um orçamento de R$ 2,8 bilhões, o loteamento dos cargos foi dividido entre PMDB, PT e PTB, que agora se engalfinham por hegemonia. "Enquanto essa cultura não for modificada e não houver uma limpa geral na máquina pública, esses erros continuarão ocorrendo", disse o líder tucano.

 

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