PSDB decide votar contra CPMF mas não fecha negociação

Por decisão unânime, as bancadas doPSDB na Câmara e no Senado decidiram nesta terça-feira seposicionar contra a CPMF, apesar dos entendimentos que opartido vem mantendo com o governo. Alguns governadores foram consultados, entre eles AécioNeves, de Minas Gerais, e concordaram com a decisão. Ogovernador de São Paulo, José Serra, não foi localizado,segundo integrantes do partido. Outros governadores serãocomunicados nos próximos dias. Aécio e Serra têm interesse na manutenção da CPMF, porserem potenciais candidatos à Presidência em 2010, e vinhamtentando influenciar os senadores. A decisão ainda não é fechamento de questão, porque nãohouve reunião da Executiva do partido. No caso dos deputados, adecisão é política, uma vez que eles já rejeitaram a medidaquando foi votada na Câmara. Senadores tucanos emitiram sinais contraditórios sobre aefetividade da decisão até a votação da CPMF no Senado.Enquanto Sérgio Guerra (PE) era definitivo -- "A negociaçãoacabou e pronto" --, o presidente do partido, Tasso Jereissati(CE), sinalizava possibilidades de entendimento com o governo. "Não fechamos as portas à negociação desde que hajaproposta de verdade", afirmou Tasso após o encontro, realizadopara examinar as propostas apresentadas nesta manhã peloministro da Fazenda, Guido Mantega. "Na semana passada, foi apresentada uma linha dedesoneração, não se discutiu números. O espírito nos pareceurazoável. Só que hoje os números que nos apresentaram sãoinócuos", disse Tasso. "Não há desoneração alguma de tributo, e sim mudança depagamento. O que é a desoneração de 2 bilhões de reais contraos 40 bilhões da (arrecadação da) CPMF? Essa proposta é tãodistante que não tem sentido continuar a conversar",acrescentou. O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), tambémexpressou a insatisfação tucana com a proposta apresentada porMantega. "O governo não meteu a mão no bolso dele, continuou metendoa mão no bolso do contribuinte." Para tentar convencer os tucanos a votar a favor daprorrogação da CPMF até 2011, o governo propôs isenção doimposto para quem ganha até 4.340 reais e um desconto fixo de214 reais para salários maiores. Esses abatimentosrepresentariam uma desoneração de aproximadamente 2 bilhões dereais por ano.

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