Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'PSDB de São Paulo defende rompimento total com o governo', diz presidente do partido

Pedro Tobias afirma que Aécio não tem condição de presidir mais o partido e que Alckmin está 'encostado'

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2017 | 19h11

Muitos tucanos saíram frustrados da plenária que reuniu cerca de 300 quadros do PSDB paulista na segunda-feira, 5, na capital para debater a permanência ou o desembarque da sigla do governo Michel Temer. Apesar do clima favorável ao rompimento, o deputado estadual Pedro Tobias, presidente da legenda em São Paulo, encerrou abruptamente o encontro sem levar a questão a voto. Nessa entrevista ao Estado, porém, Tobias conta que fez uma ata sobre a assembleia na qual consta que o diretório decidiu apoiar oficialmente a posição dos chamados "cabeças pretas". O dirigente também defende o afastamento definitivo de Aécio Neves (MG) da presidência do PSDB e afirma que Geraldo Alckmin "está encostado" na cúpula.

Na plenária de segunda-feira do PSDB paulista, não houve uma votação final. Qual posição do diretório estadual o senhor vai apresentar na reunião de segunda-feira, 120 em Brasília, que vai definir a posição do partido sobre o governo Temer?

A maioria da base em São Paulo apoia o rompimento total da relação com o governo Temer. Vou pra Brasília dizer isso na segunda-feira. Defenderei a tese de São Paulo, que é pela saída total. Fiz uma ata (sobre a plenária) e relatei o que aconteceu lá.  Embora alguns com cargos políticos defenderam ficar no governo, por escrito vou registrar que São Paulo, majoritariamente, defende o rompimento. 

Mas por que então o senhor não colocou em votação? Não daria mais legitimidade?

Se colocasse em votação, eu ia virar herói. Mas não sou egoísta. Não quero holofote. Tenho responsabilidade e cabelo branco. Fui pressionado por todos os lados. Não posso brigar com todo mundo.

O prefeito João Doria chegou de surpresa na plenária e fez um discurso exaltado contra o rompimento. Isso fez a diferença?

Não. Doria fez a parte dele e foi corajoso, mas não virou nada. Se eu colocasse em votação, pelo menos 90%  votaria pela saída.  Mas não coloquei. Fui equilibrado.

Como o partido deve lidar com a questão do senador Aécio Neves, que segue no cargo de presidente afastado do PSDB?

Muita gente quer a expulsão dele do partido, mas vamos uma dar chance para ele se defender. Se aquela gravação for verdadeira, porém, ele deveria pedir para sair antes de ser expulso. De qualquer forma, Aécio não tem mais condição de presidir o PSDB. Mesmo sem perícia (na gravação), a sociedade não aceita.    

O que deve mudar no PSDB depois dessa crise?

Há pelo menos 10 anos, o PSDB não realiza uma reunião do diretório nacional. Não fizeram nem mesmo uma comissão para estudar mudanças de regimento. São Paulo  não tem espaço no diretório nacional e isso precisa mudar. Geraldo (Alckmin)  está encostado. O governador precisa participar das decisões nacionais. 

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