Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PSDB de Aécio Neves pede auditoria na votação

Sem apresentar casos concretos, direção do partido do candidato derrotado Aécio Neves cita a 'descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e à infalibilidade da urna eletrônica'

Andreza Matais, Vera Rosa e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2014 | 20h58

Atualizado em 31.10

Brasília - Sob a alegação de "desconfianças" propagadas nas redes sociais que "colocam em dúvida desde o processo de votação até a totalização" da contagem nas eleições presidenciais, o PSDB pediu à Justiça Eleitoral uma auditoria no resultado do 2.º turno que deu vitória à presidente Dilma Rousseff sobre o candidato tucano Aécio Neves.

Em petição ao Tribunal Superior Eleitoral protocolada nesta quinta-feira, 30, pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que coordenou o setor jurídico da campanha de Aécio, o partido cobrou a abertura de um processo para verificar os sistemas de votação e de totalização dos votos com a criação de uma comissão de especialistas indicados pelos partidos políticos, sem a participação de ministros da corte eleitoral.

Entre os pedidos, está a "disponibilização de cópia dos arquivos eletrônicos que compõem a memória de resultados, obtidas a partir de dados fornecidos por cada seção eleitoral".

Aécio perdeu para a presidente Dilma por uma diferença de 3,459 milhões de votos, na disputa mais apertada da história.

Na petição, o partido cita a "descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e à infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas ordens, que se multiplicaram após o encerramento do processo de votação".

A representação do PSDB não relaciona nenhuma denúncia concreta. Mas cita, entre outras coisas, uma petição na internet que já vinha pedindo a conferência do resultado. Essa petição usa como argumento uma série de boatos espalhados nas redes.

‘Do jogo’. O documento dos tucanos foi remetido diretamente à presidência do TSE. Caberá ao presidente da corte, ministro José Antonio Dias Toffoli, resolver se toma uma decisão sem consultar os demais ministros ou se remete o caso para análise do plenário - o que deve ocorrer somente na próxima semana. "Faz parte do jogo", disse Toffoli. "A petição vai tramitar com toda a transparência e normalidade." Se o pedido for aceito, será a primeira vez que uma eleição terá auditoria desde a adoção do voto eletrônico no País, em 1996.

Fuso. Os tucanos ainda citam na representação a decisão da Justiça Eleitoral de só divulgar o resultado quando a votação já estava definida, sem que fosse possível aos eleitores acompanhar a contagem dos votos desde o início da apuração. Trata-se, no entanto, de uma praxe: só começar a divulgar os dados depois que os últimos eleitores votam, no caso, os eleitores acreanos, que estão três horas atrás do horário de Brasília em razão do fuso horário em vigor.

"O aguardo do encerramento da votação no Estado do Acre, com uma diferença de três horas para os Estados que acompanham o horário de Brasília, enquanto já se procedia a apuração nas demais unidades da federação, com a revelação, às 20h do dia 26 de outubro, de um resultado já definido e com pequena margem de diferença, são elementos que acabaram por fomentar, ainda mais, as desconfianças que imperam no seio da sociedade brasileira."

Além do acesso ao resultado das urnas eletrônicas, os tucanos pedem acesso aos programas de totalização de votos.

Panos quentes. À noite, Sampaio tentou explicar que não se trata de uma tentativa de recontagem de votos. "É um pedido de auditoria no sistema para evitar que o sentimento de que houve fraude continue sendo alimentado nas redes sociais", disse o tucano.

"Não é um 3.º turno. Não tem choro de derrotado. Nem o PSDB nem a bancada estão discutindo a legitimidade da eleição. Não contestamos o resultado", afirma o deputado federal Bruno Araújo, membro da direção executiva do PSDB.

‘Inquietação’. Para o ex-governador paulista Alberto Goldman, primeiro-vice-presidente do PSDB, existe uma "inquietação muito grande" sobre os processo. "Ninguém está dizendo que houve fraude e não estamos pedindo uma nova apuração. Aécio perdeu porque teve menos votos. Mas há uma inquietação muito grande." / COLABOROU PEDRO VENCESLAU

PARA LEMBRAR_____________________________________

A presidente Dilma Rousseff foi reeleita com uma margem apertada em relação a Aécio Neves. Dilma venceu com 51,64% dos votos válidos ante 48,36% de Aécio - ela teve 3,4 milhões de votos a mais que ele.

Este ano, por causa do horário de verão, o TSE começou a divulgar os resultados da votação só a partir das 20h. Foi preciso esperar terminar a votação no Acre - o que só ocorreu às 20h (horário de Brasília) - para o TSE abrir os resultados.

Segundo o tribunal, Aécio ficou em primeiro lugar logo no início da apuração e registrou a maior vantagem em relação a Dilma às 17h05, quando apareceu com 67,7% ante 32,3% da petista. O tucano liderou a disputa até as 19h32, momento em que Dilma o superou: 50,05% a 49,95% para ela. Cerca de uma hora depois, a vitória da petista foi confirmada matematicamente.

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