Marcelo Camargo/Agência Estado
Marcelo Camargo/Agência Estado

'Fato novo vai mudando a cabeça de deputados e senadores', diz Tasso

Presidente interino do PSDB dá declaração ao ser questionado sobre episódio da viagem de Temer em jato emprestado da JBS

Pedro Venceslau e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2017 | 14h07

Atualização às 19h

O PSDB recuou e decidiu adiar para segunda-feira, 12, a reunião da Executiva Nacional que vai decidir sobre o desembarque do governo Michel Temer. Com esse anúncio, os tucanos sinalizam que vão esperar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegar a um veredito sobre a chapa Dilma-Temer antes de definirem uma posição em relação à gestão peemedebista.

A reunião tucana estava marcada para esta quinta-feira, 8. Isso porque parte dos deputados e líderes do partido pressiona para que a legenda abandone o governo o quanto antes. O adiamento foi divulgado depois de uma conversa realizada entre senadores tucanos, comandada pelo senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino da sigla.

O senador foi taxativo ao dizer que segunda-feira é o prazo limite para uma decisão e afirmou que fatos novos na esfera do governo estão modificando o pensamento dos parlamentares tucanos. "Não precisamos ter cargo e ministério para apoiar as reformas", disse. 

Tasso também comentou o fato de Michel Temer, enquanto vice-presidente, ter viajado de carona em jatinho da JBS em 2011. "Não vai parar de ter fato novo e isso vai mudando a cabeça de deputados e senadores", avaliou. Quando questionado sobre qual seria o prazo limite para que o partido se decida respondeu: "segunda é o limite". "Vamos esperar segunda-feira por um cenário mais completo. Existe uma grande preocupação de que o partido saia coeso (da reunião)", afirmou

Abertura. Antes do adiamento, Tasso havia ampliado o "colégio eleitoral". Em vez de consultar apenas a Executiva, ele convocou as bancadas no Congresso, governadores e todos os presidentes estaduais do PSDB para o encontro. A ideia é dar um caráter institucional inquestionável ao posicionamento tucano, seja ele qual for.

A permanência do PSDB na base governista é considerada pelo Palácio do Planalto determinante para evitar uma debandada geral de aliados. "Nem (a vidente) Mãe Dinàh adivinharia o resultado da reunião de amanhã", disse Ricardo Tripoli (SP), líder do PSDB na Câmara, ao Estado, antes do recuo.

Pelo menos dois diretórios tucanos - Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul - tiraram posição em defesa do desembarque do governo. O de São Paulo caminhava para esse desfecho, mas um concorrida plenária realizada na segunda-feira acabou sem que o tema fosse encaminhado para votação.

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