PSDB cobra dois cargos na Mesa, mas Sarney resiste

Apoio dos tucanos já não é visto como decisivo em eleição no Senado

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

A demora do PSDB em definir sua lista de reivindicações de cargos aos dois candidatos a presidente do Senado - José Sarney (PMDB-AP) e Tião Viana (PT-AC) - pode custar ao partido uma vaga na Mesa Diretora e uma presidência de comissão técnica. Ao adiar para a reta final da campanha a definição em bloco por Sarney, que é o preferido pela maioria dos 13 senadores, os tucanos permitiram que o peemedebista abrisse ampla margem de vantagem sobre Viana e, diante da vitória iminente, ganhasse força para endurecer a negociação.O PSDB quer a primeira vice-presidência e a quarta-secretaria, mas, como não é mais o fiel da balança na sucessão, o PMDB se recusa a lhe entregar dois postos na Mesa. A cúpula peemedebista argumenta que o tamanho da bancada só lhe dá direito a postular um dos sete cargos de titular.Em reunião da bancada ontem, os tucanos decidiram indicar Marconi Perillo (GO) para a primeira vice-presidência do Senado. Também não abrem mão do comando da Comissão de Assuntos Econômicos para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). No que se refere às comissões, a dificuldade será emplacar o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) na presidência da Comissão de Relações Exteriores.Os 12 pontos da agenda política do PSDB para o futuro presidente do Senado, definidos na reunião da bancada, foram bem recebidos pelos dois candidatos. Depois de apresentar a lista a Tião Viana, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) e o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), levaram o documento à casa do senador Sarney. O candidato peemedebista não só concordou com a exigência da manifestação contrária a uma eventual proposta que permita o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como lembrou que esta sua posição é pública há muito tempo e já foi expressa em seus artigos. Também disse estar de acordo com o ''rodízio automático'' entre os partidos na escolha dos relatores das medidas provisórias, usando o critério da proporcionalidade pelo tamanho das bancadas.O PSDB quer que as medidas provisórias que não atenderem ao princípio constitucional da urgência e relevância sejam "sumariamente rejeitadas". Exige ainda do futuro presidente do Senado o respeito às minorias, "por seu peso político e numérico". Isso inclui o compromisso de não impedir nem dificultar a criação de comissões parlamentares de inquérito.O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) chegou a publicar ontem em seu blog que os tucanos apoiariam Sarney. Mas tirou o texto do ar quando o partido decidiu adiar o anúncio da adesão.

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