PSDB aposta em alianças fortes para reverter favoritismo de Dilma no NE

De olho no eleitorado da região, partido oficializa Serra neste sábado em Salvador

André Mascarenhas / enviado especial a SALVADOR - estadão.com.br

11 de junho de 2010 | 22h20

O PSDB realiza neste sábado, 12, em Salvador, a convenção que irá oficializar a candidatura do ex-governador de São Paulo José Serra à presidência da República.Apesar da indefinição sobre quem ocupará a vaga de vice e das dificuldades para conseguir um consenso em torno da chapa baiana, o partido irá para o seu principal encontro nacional otimista com a possibilidade de reverter o quadro de favoritismo da petista Dilma Rousseff no Nordeste.

 

Menos de uma semana após a divulgação da pesquisa Ibope/Estado/TV Globo que revelou uma forte tendência de regionalização do voto, com Norte e Nordeste pendendo para Dilma, e Sul e Sudeste para Serra, líderes do PSDB baiano apostam no fortalecimento das alianças regionais para garantir um resultado mais confortável no Nordeste. O raciocínio é de que, sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa, o empenho de cabos eleitorais na região será maior para pedir votos ao candidato tucano.

 

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, João Almeida (BA), compara a força de Lula no Estado à adoração dos baianos pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007, para explicar porque a alta popularidade do presidente não implica necessariamente numa transferência de votos para Dilma. "A escolha do candidato pelo carisma mostra que o voto desses eleitores não é ideológico", disse em conversa com o estadão.com.br nesta sexta-feira, 11. "Não sendo Lula o candidato, dá para levar."

 

A comparação entre Lula e ACM não é exclusiva dos gabinetes. A servidora do ministério da Saúde Claudete dos Santos Rufino, de 57 anos, coloca a relação Lula-ACM em perspectiva. "O povo da Bahia gostava mesmo era do ACM. Só depois veio o Lula", disse, ao ser abordada em um shopping popular de Salvador.

 

A produtora de TV Márcia Godinho, que mora em São Paulo, também procurou traçar um paralelo para explicar a adoração de Lula entre os baianos . "O Lula é como o ACM, que era um homem que se misturava ao povo, que ia ao candomblé, que participava da lavagem das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim. O Serra já é visto como alguém mais reservado", disse ela em uma conversa por telefone na última quinta-feira.

 

Consumo em alta

 

Mas nem todos baianos vêem apenas semelhanças entre os dois políticos. Nem Lula, nem Dilma, nem Serra. A dona de casa Cândida Alves, de 55 anos, gostava mesmo era de ACM. "Quem eu gostava não dá mais para votar, porque já morreu", diz sem vacilar.

 

Em visita a Natal na última quarta-feira, 9, o próprio presidente deu pistas de uma explicação para sua alta popularidade no Nordeste. Citando dados de uma pesquisa sobre o consumo das famílias divulgada em novembro do ano passado, o presidente lembrou que, nos últimos anos, foram os cidadãos das classes D e E do Nordeste os maiores consumidores do País, enquanto as compras entre as classes A e B entraram em declínio. "Quem era mais pobre foi às compras. Aliás, o povo pobre foi ao shopping, olha que chique", disse o presidente na ocasião.

 

Basta uma visita a um shopping popular de Salvador para verificar que o presidente conhece bem sua popularidade. Ao ser questionado sobre o que mudou no País nos últimos anos, Eric Teixeira, que é gerente de uma loja de eletrônicos, vai direto ao ponto. "A desigualdade diminuiu. Antes, o pobre não podia comprar uma TV de LCD", exemplifica.

 

O PSDB terá um desafio grande para cativar os eleitores que passaram a consumir mais. Ainda assim, a avaliação do partido de que o eleitor não quer perder o que conquistou, mas acredita ser possível "fazer mais" em áreas como saúde, educação e segurança pública, deve surtir algum efeito. No breve giro da reportagem do estadão.com.br por um terminal rodoviário de Salvador, os apelos por melhores condições nesses serviços foi quase unânime. "Não frequento mais canto nenhum de Salvador", resume o ambulante Gilmar Freitas, de 46 anos, que também se queixou das condições da educação na capital soteropolitana e diz ser contra as políticas sociais do governo. "É um incentivo à pobreza", define.

 

Indefinição local

 

Ainda que os tucanos baianos argumentem que as articulações no Estado estão avançadas, o partido encontra dificuldades para indicar um dos dois candidatos ao Senado na chapa com o pré-candidato a governador Paulo Souto, do DEM. Embora a candidatura do ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo (DEM) seja certa, os tucanos não chegaram a um consenso sobre o segundo nome, uma vez que o preferido de Serra, o senador democrata ACM Júnior, já avisou que não concorrerá à reeleição.

 

A definição está agora entre três nomes: do deputado João Almeida, do ex-prefeito e presidente do PSDB da Bahia, Antônio Imbassahy, e do também deputado federal José Carlos Aleluia (DEM). Detalhe: Almeida e Imbassahy preferem sair à Câmara, enquanto Aleluia aposta na indicação à vice de Serra.

 

Sobre a vice, a servidora Claudete concorda que a escolha de um político da região nordeste pode ajudar a deslanchar a candidatura de Serra. A dificuldade será encontrar um que agrade a todos. "Vice do Nordeste ajudaria sim. O nordestino tem raízes muito fortes na região", afirma. E Aleluia, seria um bom nome? "Ih, esse eu não gosto", responde. "Se depender da Bahia, com Aleluia o Serra perde."

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