PSDB apoia Sarney só com veto a 3º mandato

Bancada se reúne hoje para definir exigências políticas e de cargos [br]que serão levadas ao candidato do PMDB à presidência do Senado

Christiane Samarco e Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

O PSDB só vai apoiar a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado em troca do "boicote" a qualquer iniciativa de governistas em favor de um eventual terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bancada do PSDB reúne-se hoje para fechar a lista de exigências políticas e de espaço de poder no Legislativo, que será encaminhada ainda hoje a Sarney, o preferido da bancada de 13 senadores. A mesma proposta será levada a Tião Viana (PT-AC), que disputa a vaga com Sarney."Como temos sérias dúvidas sobre as intenções democráticas de vários setores do governo, queremos saber dos candidatos se tentativas golpistas teriam êxito", antecipou ontem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele e o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), se encarregarão de procurar Sarney e Viana. "Queremos um presidente com sinceros compromissos democratas e de respeito às minorias e ao direito à voz da oposição, que não pode ser mutilada no Congresso", insiste Guerra.Os tucanos também querem comandar a primeira vice-presidência da Casa, a terceira secretaria, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Relações Exteriores. E não será nada fácil fechar este acordo, uma vez que, além das disputas internas, há brigas entre os partidos pelas comissões técnicas e pelas 11 vagas na Mesa Diretora.A cadeira de primeiro vice presidente, cobiçada por petistas no caso de Viana perder a briga para Sarney, está sendo disputada pelos tucanos Marconi Perillo (GO) e Álvaro Dias (PR). Em seu esforço de composição, Sarney deve, porém, entregar a Comissão de Relações Exteriores para o ex-presidente Fernando Collor (PTB).Se a bancada confirmar a tendência majoritária, o governador José Serra terá de administrar um velho adversário no Senado e corre o risco de não emplacar um aliado na Câmara. Embora o PSDB tenha fechado com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), para presidir a Câmara, as contas revelam que o peemedebista tem 35 dos 59 votos do partido. Uma dezena de tucanos admite votar em Aldo Rebelo (PC do B-SP) e o resto, em Ciro Nogueira (PP-PI).BLOCO POR TEMERNuma contraofensiva para consolidar votos, 14 partidos que apoiam Temer vão formalizar hoje um bloco para garantir a indicação de 10 aliados nos 11 cargos da Mesa Diretora da Casa - 7 titulares e 4 suplentes.A chapa foi montada com a distribuição dos cargos entre as siglas que aderiram a Temer. Ontem, os líderes das legendas assinaram uma declaração classificando a candidatura Temer de "institucional" e se comprometendo a votar na chapa oficial montada pelos 14 partidos.

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