PSDB ameaça expulsar infiéis pró-campanha de Kassab

No dia seguinte à manifestação deamplo apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM)pelos secretários municipais tucanos, o PSDB enviou carta aosfiliados ameaçando com processo de expulsão aqueles queaderirem a nomes de outras siglas. O partido evoca a lei da fidelidade partidária, que prevêadesão obrigatória de filiados às determinações dos partidos. "Os filiados que não atenderem a este princípio (apoiarcandidatos da sigla), ou seja, que apoiarem publicamente nossosconcorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética efidelidade partidária", diz trecho da carta enviada a cerca de8 mil filiados no Estado. Na eleição da capital paulista, o PSDB se definiu peloex-governador Geraldo Alckmin, mas um grande número de tucanosatua na administração de Kassab, herdada do governador JoséSerra (PSDB). Na segunda-feira, Kassab convocou seussecretários tucanos a defenderem sua gestão na campanhaeleitoral e recebeu a anuência da equipe. "Candidatos a vereador e a prefeito do partido querem queos filiados subam no palanque deles e não no do adversário",disse à Reuters o secretário-geral do PSDB estadual, CésarGontijo. O dirigente disse que a carta já vinha sendo gestada emreuniões do partido e foi aprovada pela executiva estadual nasegunda-feira. Para ele, 2008 é importante por ser uma etapapara o PSDB retomar a Presidência da República. "Temos que fazer um ajuste fino em São Paulo. Nossoenfrentamento é com o PT e nosso candidato é o Geraldo, que vaidar as condições para eleger Serra presidente da República em2010", afirmou. Entre os secretários tucanos da administração paulista, osmais engajados na campanha de Kassab são o deputado federalWalter Feldman (Esportes) e Clóvis Carvalho (Governo). Kassab tem dito que o PSDB tem uma "peculiaridade", por terdois candidatos a prefeito em SP. Gontijo devolve: "Como ele édo PFL (atual DEM), é difícil para ele falar sobre o PSDB." O processo no conselho de ética leva cerca de um mês. Ofiliado pode ser advertido, suspenso de 3 a 12 meses,destituído de função em órgão partidário ou expulsão. Se forparlamentar, poderá perder o mandato. Na segunda-feira, o deputado Edson Aparecido,coordenador-geral da campanha de Alckmin, havia dito que oencontro do prefeito com auxiliares era "absolutamenteirrelevante".(Reportagem de Carmen Munari)

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