PSDB adia reunião sobre sucessão presidencial

A direção do PSDB adiou para 5 de outubro a reunião da Executiva Nacional do partido que discutiria, nesta sexta-feira, em Goiânia, os critérios e o processo que o partido adotará para escolher o seu candidato à Presidência da República. A decisão, no entanto, não significa que os tucanos decidiram protelar ainda mais a indicação do nome do partido, mas que esse encontro poderá ser realmente decisivo. Além dos deputados e senadores que integram o comando partidário, foram convocados todos os ministros e governadores tucanos."Corremos o sério risco de tomar uma decisão tarde demais se a deixarmos para janeiro", disse o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira. Dante defendeu em conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso a antecipação da escolha, antes que se forme um quadro irreversível "capaz de inviabilizar um nome do nosso partido". Segundo o governador, o presidente concordou com a proposta de rediscutir a estratégia do PSDB, de protelar ao máximo a escolha do seu candidato. O adiamento do encontro de Goiânia foi decidido na semana passada, em reunião informal dos dirigentes do PSDB na casa do presidente da Câmara, Aécio Neves. Até então, a idéia era apenas abrir o debate interno sobre métodos de escolha e, na visão de parlamentares ligados aos grupos do ministro da Saúde, José Serra, e do governador do Ceará, Tasso Jereissati, tentar "afunilar o processo de escolha entre esses dois nomes". Diante da realidade de uma campanha em andamento, os tucanos agora não descartam nem mesmo a hipótese de uma convenção extraordinária do partido para o final de outubro ou início de novembro. "O que não parece mais aconselhável é que o partido continue sem um rosto para representá-lo em uma campanha que já está nas ruas", explica Dante de Oliveira, que conversou sobre o tema também com o presidente do PSDB, deputado José Aníbal, os ministros Serra, Paulo Renato Souza (Educação) e Jereissati. A maior preocupação tucana neste momento é o crescimento do apoio à Roseana Sarney, do PFL, que nas últimas pesquisas alcançou 14% de preferências e que pode criar um quadro irreversível a seu favor nos próximos meses. "Digamos que ela chegue perto de 20%, passaremos a discutir a escolha de um candidato a vice-presidente?", indaga Dante.O PSDB enfrenta problemas produzidos pela estratégia que adiou a escolha do candidato para o início do próximo ano. Os pré-candidatos do partido se movimentam muito internamente, por exemplo, mas não podem, para evitar atritos entre si, se apresentar abertamente à opinião pública. Em conseqüência, não melhoram nas pesquisas sobre preferências eleitorais. Enquanto o PSDB esconde seus candidatos, a oposição faz campanha e os eventuais aliados do PSDB na corrida presidencial trabalham para fixar opções próprias. O PFL joga com o nome da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e o PMDB com os nomes do senador Pedro Simon (RS) e do governador de Minas Gerais, Itamar Franco. Até o PPB tende a se aglutinar em torno de um nome próprio ao lançar o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, como uma opção presidencial.

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