REUTERS/Ueslei Marcelino
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PSDB deve adiar mais uma vez decisão sobre desembarque do governo

Tucanos são a principal sustentação de Temer no Congresso; partido fará reunião nesta segunda-feira sobre o assunto

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 17h32
Atualizado 11 de junho de 2017 | 19h23

BRASÍLIA - Principal base de sustentação do presidente Michel Temer no Congresso Nacional, o PSDB deve adiar mais uma vez sua decisão de desembarque ou não do governo peemedebista. O partido marcou para a tarde desta segunda-feira, 12, reunião de sua executiva nacional para tratar do assunto. O encontro, porém, deve servir apenas para discussão, sem anúncio de uma decisão final.

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"A ideia é não tomar uma decisão amanhã, 12. Será mais ouvir os diversos segmentos. É muito curto o tempo entre a decisão do TSE e a reunião", afirmou o secretário-geral do PSDB, o deputado federal Silvio Torres (SP). Ele se referia ao julgamento do Tribunal Superior Eleitoral concluído na última sexta-feira, 9, e que absolveu a chapa Dilma-Temer da cassação por 4 votos a 3.

Nos bastidores, tucanos argumentam que, após o TSE, é preciso agora esperar a denúncia contra Temer que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve enviar até o fim de junho. "Temos que nos preocupar também com os 14 milhões de desempregados no Brasil e, sobre esse aspecto, é que o PSDB deve decidir", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP).

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Sem perspectiva de anunciar uma decisão, os principais caciques tucanos podem não comparecer à reunião desta segunda-feira. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, não deve ir ao encontro. De acordo com a assessoria de imprensa do ex-presidente, ele tem uma reunião em São Paulo do Conselho Fiscal da Fundação FHC que estava marcada há dois meses. 

Os grupos de Alckmin e do senador afastado Aécio Neves (MG) atuam nos bastidores para evitar o desembarque agora. A avaliação de "aecistas" é de que o rompimento dos tucanos com o governo Temer pode prejudicar o mineiro. O pensamento é de que, caso o PSDB desembarque, o PMDB, maior partido do Congresso, atuará para que o tucano seja cassado. Aécio foi fortemente atingido pela delação da JBS. 

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Dos quatro ministros do PSDB, Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) também trabalham contra o rompimento. Os ministros e o próprio presidente Michel Temer entraram em campo na semana passada e conversaram pessoalmente ou por telefone com parlamentares tucanos para tentar conter o movimento favorável ao desembarque.

Na reunião desta segunda-feira, a defesa mais enfática pelo rompimento será feita pelos "cabeças-pretas", como são chamados os tucanos mais novos. O grupo, formado principalmente por deputados, é o que mais pressiona a cúpula do partido a desembarcar. Eles temem que a impopularidade de Temer contamine o PSDB nas eleições de 2018. "Lutarei para ter decisão (nesta segunda), mas não sei no que vai dar", disse o deputado Carlos Sampaio (SP), que é favorável ao desembarque.

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Interlocutores do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), dizem que ele está relutante em adiar mais uma vez a decisão pelo desembarque ou não. Na semana passada, o senador cearense deu declarações públicas mais fortes, que foram interpretadas como um desejo dele de que o PSDB rompa com o governo Temer. Em uma delas, disse que o partido não precisa de ministério para apoiar as reformas.

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