PSDB acena com apoio a Jarbas

O líder Arthur Virgílio ataca Sarney e prega ?estatura moral?; Tasso aposta que os 12 tucanos endossem cassação

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Brasília - O PSDB reunirá hoje sua Executiva Nacional para fechar questão pela cassação do mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Mais do que isso, a cúpula do partido já tem até nome para presidir a Casa em lugar de Renan: o presidente tucano, senador Tasso Jereissati (CE), anunciou ontem que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) é o seu candidato a ocupar a presidência do Senado. O anúncio foi feito após o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), ter proposto à bancada o veto a uma eventual candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP). "Não sei quem será meu candidato, mas sei quem eu não quero. Não quero nada com essas oligarquias. Nosso candidato tem que ter estatura moral e ser de renovação", disse Virgílio, para concluir: "Se for candidato, Sarney não levará meu voto e espero que não leve o voto da bancada que tenho a honra de liderar." O líder arrancou aplausos entusiasmados da platéia tucana que participava de um seminário, ontem, em Brasília, mas, àquela altura, Tasso ainda estava viajando, vindo do Ceará, e não pôde ouvi-lo. Alguns dirigentes do partido interpretaram a fala de Virgílio como uma provocação ao presidente do partido, por conta da ligação pessoal de Tasso com a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), e com o pai dela, proscrito pela fala de Virgílio. Provocado ou não, Tasso reagiu de pronto e, sem rejeitar explicitamente o nome de Sarney, colocou um nome novo na disputa, o do ex-governador de Pernambuco. "Eu sei o que eu quero e tenho um nome na cabeça. Meu candidato é o Jarbas", disse o presidente do PSDB, parodiando a fala anterior de Virgílio. Tasso preferiu não comentar o veto do líder do partido ao senador Sarney, extensivo à filha Roseana. "Primeiro vamos ouvir o resultado da votação de quarta-feira. Prefiro ter a certeza da cassação para depois discutir a sucessão", ponderou. Indagado em seguida sobre a possibilidade de o PSDB lançar candidato próprio à eventual sucessão de Renan, Tasso acabou tornando pública a articulação de tucanos e democratas, que há mais de um mês discutem a sucessão nos bastidores do Senado. O nome de Jarbas surgiu como alternativa de respeitabilidade nacional e perfil oposicionista dentro do PMDB, que, pela tradição parlamentar, tem o direito de apontar o nome do candidato por ser a maior bancada do Senado. Embora o voto no julgamento de Renan em plenário seja secreto, Tasso aposta que a decisão da Executiva será eficiente para que os 12 senadores tucanos se comprometam a aprovar o parecer da colega Marisa Serrano (PSDB-MS). Relatora do caso Renan no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Marisa propôs a cassação do presidente e obteve o apoio do plenário do conselho. "Faremos uma reunião para ratificar o voto de cada um (dos 13 senadores tucanos)", antecipou Tasso. Sobre os três tucanos que figuram na lista dos indecisos, o presidente do partido admitiu que há apenas uma dúvida: o senador João Tenório (PSDB-AL), suplente do governador de Alagoas, Teotônio Vilela, que é amigo e aliado de Renan no Estado. "O Papaléo Paes (AP) e o Flexa Ribeiro (PA) já colocaram o voto aberto para nós e fecham com o relatório da Marisa", antecipou Tasso.

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