PSD reúne executiva para acelerar adesão ao governo Dilma

Em primeiro encontro, regionais de três Estados oficializaram apoio à presidente; sigla busca diretórios para, em troca, conseguir mais espaço na administração federal

Eduardo Bresciani, de O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 14h05

BRASÍLIA - O PSD reuniu sua executiva nacional nesta quarta-feira, 27, em Brasília para acelerar o processo de consultas aos diretórios regionais sobre a adesão do partido ao governo federal e o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Nessa primeira reunião, três diretórios, Bahia, Rio Grande do Norte e Rondônia, já oficializaram sua posição nessa direção e a intenção dos caciques é fazer um anúncio formal da adesão no próximo mês. Como contrapartida, o PSD espera ocupar espaços no governo, ainda que o discurso oficial seja de não vincular os dois assuntos.

Presidente do partido, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab reafirmou sua posição pessoal de "simpatia" ao governo de Dilma. Afirmou que a discussão interna tem como foco debater o alinhamento do partido em 2014 e não a ocupação de cargos. "Não vamos condicionar o apoio a cargos. Essa é uma prática da velha política, que nós queremos superar", disse. Kassab reafirmou que a posição atual é de independência e afirma que o PSD tem votado com o governo quando há "interesse do País".

Na reunião, porém, as manifestações foram mais diretas. Eleito segundo vice-presidente da Câmara, Fábio Faria (RN) destacou que o partido já vota há um ano com o governo sem ter cargos. O deputado Júlio César (PI) observou que o PSD deveria ter um espaço equivalente a sua bancada, a terceira maior na Câmara entre os aliados. "Se for para participar do governo, que seja algo do tamanho da grandeza que representamos", disse o deputado piauiense, que reclamou ainda da falta de empenho de emendas parlamentares.

Secretário-geral do partido, Saulo Queiroz afirma que esse processo de consultas deve ser concluído em março. "Nós sabemos de antemão a disposição de apoiar Dilma de praticamente todos do partido", disse. Para atender a partidários que têm divergências com o PT em seus Estados, o discurso está pronto. "O alinhamento com a candidatura da presidente Dilma não significa alinhamento com o PT nos Estados", afirmou Queiroz.

Apesar da expectativa de ocupar espaços no governo ser latente, o assunto é tratado somente nos bastidores. Com a indicação do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, dada como certa para a pasta de Micro e Pequenas Empresas, a legenda pressiona para tentar ocupar um segundo ministério. Como o mês de março também é o da reforma ministerial programada pela presidente, o PSD corre para aderir ao governo o mais rápido possível e poder ser considerado nas mudanças.

O foco na disputa nacional não impediu manifestações dentro da Executiva por candidaturas nos Estados. A prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Veras, defendeu uma candidatura de Kassab ao governo de São Paulo. Ele desconversou e afirmou que o tema será discutido pelo diretório de São Paulo, mas reiterou que a intenção do partido é, sim, de disputar o maior número de governos possíveis. Outro político presente que foi lançado ao governo foi o vice-governador da Bahia, Otto Alencar. Ele não comentou o tema. Otto é vice do petista Jaques Wagner e há no PT uma disputa por sua sucessão.

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