PSD passará a receber R$ 1 milhão em recursos do fundo partidário

Quantia é proporcional à bancada do partido, que também terá tempo de TV e rádio

Eduardo Bresciani e Vannildo Mendes - Agência Estado,

29 de junho de 2012 | 20h48

BRASÍLIA - Decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu ao PSD - partido fundado pelo prefeito Gilberto Kassab no ano passado - o direito a ampliar sua fatia na divisão dos recursos do fundo partidário, passando dos atuais R$ 40 mil por mês para cerca de R$ 1 milhão, e a ter tempo de TV proporcional à sua bancada de deputados federais. Fortalecida, a legenda tenta aumentar seu espaço nas negociações de última hora para as próximas eleições municipais e espera dar retorno aos aliados que o sustentaram nas épocas de vacas magras.

As duas vitórias foram confirmadas nesta sexta-feira, 29. Pela manhã, o Supremo Tribunal Federal (STF) colheu o voto contrário de Carmem Lúcia, mas deu por 7 votos a 4 o direito do PSD ao tempo de TV e rádio No início da tarde, a própria Carmem comandou a sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que preside, na qual se concedeu ao novo partido o acesso a uma fatia do bolo partidário proporcional aos votos recebidos em 2010 na eleição para a Câmara dos Deputados por fundadores da nova legenda.

O tempo de rádio e TV da legenda será de cerca de 2 minutos por dia nos blocos de propaganda eleitoral das eleições de outubro, dependendo do município.

Apesar de enfrentar a oposição institucional de quase todos os partidos para atingir os dois objetivos, a vitória da legenda de Kassab vai render dividendos a quem se aliou ao partido para as eleições. Em São Paulo, por exemplo, José Serra (PSDB) deverá agora superar o tempo de TV de Fernando Haddad (PT). No Rio de Janeiro, o beneficiado será Eduardo Paes (PMDB), em Curitiba, Luciano Ducci (PSB) e na Bahia, Nelson Pellegrino (PT).

"A partir do momento que nós temos o tempo de TV, as coligações e alianças que estão conosco se beneficiam junto. E o PSD tem várias alianças, é um partido em formação e sem preconceitos", resume o líder do partido na Câmara, Guilherme Campos (SP).

A nova legenda, porém, quer dar e receber. Além da pressão pela vice de Serra, o partido tenta ampliar sua presença em chapas pelo País afora. Aliado dos governadores na maioria dos estados, a legenda espera conseguir ganhar prefeituras importantes e emplacar vereadores para formar a chamada "base política".

O espaço do PSD deve crescer também na Câmara dos Deputados. A legenda vai brigar em 2013 para ocupar um lugar na Mesa Diretora e para comandar ao menos duas das comissões temáticas da Casa. A disputa só não acontecerá agora porque Campos fez um acordo com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e líderes de outras bancadas, o que garantiu algum espaço para deputados do PSD em comissões importantes em troca do adiamento das exigências. Ousado, porém, o partido já articula junto com o PSB uma união na eleição para a presidência da Câmara para tentar desbancar o PMDB, que espera do PT o cumprimento de um acordo para comandar a Casa.

 
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