Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

PSD mira prefeituras tucanas do interior

Partido a ser fundado pelo prefeito Kassab foca ação nas cidades do PSDB paulista

José Maria Tomazela - O Estado de S. Paulo,

21 de abril de 2011 | 23h00

SOROCABA - O Partido Social Democrático (PSD), legenda que o prefeito paulistano Gilberto Kassab pretende criar ainda neste ano, começou a atacar as bases tucanas também no interior do Estado de São Paulo.

 

O prefeito de Itu, Herculano Júnior, que anunciou a saída do PV para organizar o partido de Gilberto Kassab na região de Sorocaba, admite que as cidades governadas pelo PSDB são o alvo preferencial do novo partido, já que formam a maioria na região. "É natural que sejam nossos objetivos principais." Nesta semana, seis vereadores paulistanos do PSDB anunciaram a saída do partido rumo ao PSD.

 

Herculano anunciou também que o PSD planeja ter candidato próprio a prefeito em Sorocaba, maior cidade da região e administrada há 14 anos pelo PSDB. O nome do possível candidato não foi definido. Já se sabe que o ex-deputado e atual vereador José Crespo vai trocar o DEM pelo partido de Kassab. Crespo foi candidato derrotado à Prefeitura de Sorocaba nas três últimas eleições, mas na Assembleia era da base de sustentação do governo. Na região, um dos principais redutos tucanos do interior, o PSD conseguiu a adesão de três prefeitos.

 

Políticos com mandato em Capela do Alto, Boituva, Tatuí e Itapetininga também teriam manifestado interesse em aderir à nova sigla. Em Itu, três vereadores assumiram compromisso com Herculano. Ele disse que já estão formadas "no papel" comissões em 80 municípios de uma área que vai de Osasco, na Grande São Paulo, a Jaú, no centro do Estado. "Assim que o partido tiver o registro, vamos entrar com a papelada em cartório", disse.

 

Até o fim do ano a sigla quer ter comissões do partido em todas as 645 cidades paulistas. O PSD conta com uma lista de 200 pré-candidatos a vereador. A expectativa é ter candidatura a prefeito nas principais cidades. "A ideia é buscar apoio para ter candidaturas fortes. Felizmente, opções não faltam", disse Herculano. Entre os nomes estão vários ex-prefeitos tucanos que ficaram sem espaço em suas cidades. Alguns receberam telefonemas do próprio Kassab.

 

Os fundadores do PSD também estão de olho em prefeituras do DEM ou de prefeitos insatisfeitos em seus partidos. "A maioria dos prefeitos do DEM está vindo (para o PSD). E outros que estão insatisfeitos em suas legendas estão avaliando", afirmou o deputado Guilherme Campos, coordenador do PSD na região de Campinas.

Além de Itu, o novo partido contabiliza as prefeituras de Mogi das Cruzes, Leme, Paulínia e Estiva Gerbi. Até dia 30, os fundadores pretendem coletar 50 mil assinaturas na região de Sorocaba. O PSD precisa de 500 mil nomes para obter o registro no Tribunal Superior Eleitoral.

 

DEM diz aceitar Agricultura desde que ‘turbinada’

 

Depois de negociações nesta semana com integrantes do governo paulista e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o DEM resolveu que aceitará a Secretaria da Agricultura, desde que a pasta seja fortalecida com novos projetos ou que sejam devolvidos programas que faziam parte da secretaria mas que acabaram migrando para outras.

 

O partido resistia a aceitar a Agricultura, que estava vaga com a saída de João Sampaio, por avaliar que a pasta fora desidratada. O DEM indicará o deputado Rodrigo Garcia para o secretariado. A sigla planeja aceitar a proposta do governo desde que voltem para a Agricultura programas como o Viva Leite e o Bom Prato, deslocados neste ano para o Desenvolvimento Social.

 

Para os integrantes do DEM, órgãos ligados à secretaria, como a Codasp (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo), também devem ser controlados pela sigla - a empresa pode ir para a órbita do PMDB.

 

O DEM receberá uma secretaria da gestão tucana depois que o vice-governador, Guilherme Afif Domingos, anunciou que trocará o partido pelo PSD, legenda a ser criada pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab. A direção do DEM cobrou, então, Alckmin para ganhar outro espaço no governo, já que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, tocada por Afif, não será mais da sigla.

 

A decisão sobre a nova secretaria do DEM deve ser tomada na próxima semana e, de acordo com interlocutores do Palácio dos Bandeirantes, pode vir casada com uma mudança de cadeiras no secretariado. O governador pretende passar o Desenvolvimento Econômico para alguém ligado ao PSDB. Antes disso, no entanto, gostaria de resolver a participação do DEM no governo.

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