Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

PSD é formado com ajuda de caciques regionais, de petistas e até de tucanos

Legenda concebida por Kassab é turbinada nos Estados a partir de interesses locais e vira ajuntamento da velha oligarquia

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2011 | 21h31

Brasília - Concebido como projeto político paulista e pessoal do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o novo PSD nasce como um ajuntamento de sublegendas de caciques tradicionais da política nos Estados. É a partir da força local de lideranças como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e de governadores do PMDB, do PT, do PSDB, do PSB, do PMN e do DEM, que Kassab e seus operadores constroem a sigla nacional.

Líderes do DEM e do PSDB apostam que o PSD terá dificuldades para sair do papel e torcem pelo fracasso da operação. No registro da nova legenda no cartório eleitoral dois meses atrás, 33 deputados de 12 siglas diferentes anunciaram a adesão e assinaram o documento. Anúncios à parte, no entanto, até hoje nenhum político deixou sua legenda para ingressar no PSD. Nem Kassab, que agora a direção do DEM quer expulsar.

Apesar da demora, quem está com um pé no PSD diz que não tem dúvida quanto à conveniência da troca. O que vale aí é a máxima segundo a qual quem tem prazo, não tem pressa. O prazo legal em questão é o que estabelece no mínimo um ano de filiação partidária para os candidatos às eleições municipais de 2012.

Ao menos em tese, as filiações ao PSD poderão se arrastar até a primeira semana de outubro, com o cuidado de deixar claro perante a Justiça Eleitoral que essas pessoas participaram da construção do novo partido.

Padrinhos. A lista de padrinhos e patrocinadores do novo partido inclui os governadores da Bahia, Jaques Wagner (PT); do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB); de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM); do Amazonas, Omar Aziz (PMN), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Mas todos, exceto o catarinense Colombo, também vão ficar onde estão, usando o PSD como sublegenda para ampliar a força política em seus Estados.

Colombo é exceção porque integra o grupo de Kassab e do ex-presidente nacional do DEM Jorge Bornhausen. Foi este trio que formulou a ideia da nova legenda a partir da derrota na briga interna pelo comando do DEM, contra os deputados ACM Neto (BA) e Rodrigo Maia (RJ). Precisamente por isto, Neto e Maia se tornaram alvos da política predatória do PSD.

Na Bahia, Kassab se aliou ao governador petista que, não por acaso, entregou a tarefa da montagem do PSD ao vice-governador Otto Alencar (PP). O vice é um velho dissidente do grupo do ex-senador Antonio Carlos Magalhães que agora se dedica a esvaziar ainda mais o espólio daquele que já foi conhecido como “dono da Bahia”, levando todos com ele para o PSD.

Metade da bancada baiana do DEM - três deputados federais - assinou a ficha do novo partido. Até o primo de ACM Neto, o deputado Paulo Magalhães (DEM), aderiu ao PSD e passou a votar com o governo na Câmara.

No Ceará, quem acabou se tornando alvo das investidas do PSD foi o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB). Uma ofensiva patrocinada pelo governador Cid Gomes (PSB), que rompeu com o tucano na campanha eleitoral de 2010 e ajudou o PT a derrotá-lo. Estima-se que sejam retirados do ninho tucano nada menos que cinco deputados estaduais ligados a Jereissati.

Extinção do DEM. No Maranhão, o DEM será extinto e o PSD será a segunda força política no Estado, depois do PMDB da governadora Roseana Sarney. Com a bênção do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, sua mulher e deputada Nice Lobão sairá da presidência estadual do DEM para comandar o PSD maranhense. Levará com ela toda a bancada estadual, inclusive o secretário de infraestrutura e deputado Max Barros (hoje no DEM).

O PSD maranhense também estará representado em outras três secretarias (Agricultura, Educação e Fazenda), cujos titulares comprometeram-se a reforçar a legenda que será braço auxiliar do grupo Sarney-Lobão no Estado. E para fortalecer ainda mais a regional, é de lá que sairá o futuro secretário-geral do partido, Saulo Queiroz. Ex-deputado pelo Mato Grosso do Sul, Queiroz tem residência fixa no município de Balsas há anos e foi para lá que transferiu o título de eleitor. Há dois meses, deixou a secretaria executiva do DEM nacional para se dedicar à organização da nova sigla em todo o País, como braço direito de Kassab.

Em Minas, o PSD também tem ligações com o governo do tucano Antonio Anastasia. Pelo menos um secretário - Alexandre Silveira (PPS), de Gestão Metropolitana - engrossará as fileiras da legenda. O ingresso de aliados do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao PSD é uma forma de o pré-candidato tucano à Presidência fincar pé na legenda que nasce com viés governista, mas sem posição predefinida na sucessão de 2014. “São nossos amigos. Assim como eles não estão fechando portas, nós também não”, diz o presidente do PSDB mineiro, Marcos Pestana.

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