PSD cria conselho para elaborar programa partidário

O recém-criado PSD já é a terceira bancada no Congresso Nacional e chegou ao final dessas eleições municipais como o quarto partido que mais elegeu prefeitos em todo o País. Apesar da boa performance, os dirigentes da sigla perseguem agora uma outra meta, dar à legenda um conteúdo programático que possa servir de base para a discussão dos desafios que o País enfrenta, como o crescimento econômico sustentável com redução das desigualdades sociais.

ELIZABETH LOPES, Agência Estado

07 de dezembro de 2012 | 19h41

Segundo o presidente da Fundação Espaço Democrático do PSD e vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, a ideia é de um ''think tank'', uma usina de ideias dedicada a produzir, discutir e difundir conhecimentos estratégicos sobre assuntos essenciais e pensar a realidade de forma inovadora. Com base nesta meta, a sigla criou 21 conselhos temáticos, formados por parlamentares, acadêmicos, empresários e especialistas em questões de interesse público, filiados ou não ao partido. "Temos um grupo de experts para definir os eixos temáticos que irão nortear nossas discussões e formar nosso programa partidário para servir de discussão aos quadros de nosso partido, sobretudo em 2013, que para nós é um ano essencialmente de pensamento político", destaca Afif.

Este time de notáveis, na definição do vice-governador, é coordenado pelo cientista político Rubens Figueiredo. E inclui nomes como o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o embaixador José Botafogo Gonçalves, o advogado Arnaldo Malheiros Filho, o engenheiro e um dos fundadores da Embraer Ozires Silva e o deputado e ex-ministro da Previdência Social Reinhold Stephanes, entre outros. Além dos 21 membros dos conselhos temáticos, a equipe conta também com a colaboração do economista Roberto Macedo, encarregado de formular o Projeto de Nação da legenda. "O Brasil tem o desafio de crescer de forma sustentada", avalia o professor Macedo.

Rubens Figueiredo destaca a importância de se pensar o Brasil de forma estratégica e de se elaborar projetos, em vários setores, que possam inspirar a classe política a desenvolver políticas efetivas para o desenvolvimento do País, o que não ocorre com os chamados partidos tradicionais. Na avaliação dos integrantes deste conselho de notáveis, o PSD inova com relação às outras legendas, que carecem de um programa partidário robusto e que possa responder aos desafios que o Brasil enfrenta, sobretudo num momento de crise econômica global.

"E para as eleições de 2014, todos os nossos candidatos terão que fazer uma espécie de avaliação para ver se realmente estão afinados com nossos propósitos", destaca Afif. Na sua avaliação, a comunicação é uma das ferramentas mais importantes deste projeto. "O político que vai propagar nossas ideias ao povo tem que saber o que vai disseminar", complementa o vice-governador e um dos fundadores do PSD. Afif destaca ainda que em 2014 a sigla deverá apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Mas, em 2018, o PSD deverá estar preparado para lançar um nome próprio à Presidência da República.

Inserção competitiva

Além do trabalho que será feitos nesses conselhos temáticos, o PSD fará também um ciclo de seminários, com transmissão pela internet, para debater as propostas que poderão integrar o seu programa partidário. O primeiro seminário, com transmissão via internet, ocorre na segunda-feira (10) e vai discutir a cultura brasileira, o potencial da economia do País e os caminhos a serem percorridos para uma inserção competitiva no cenário internacional, sob o tema "Brasil: uma visão estratégica".

Segundo a direção do PSD, esses encontros fazem parte de um processo ousado e inovador, em que foi estimulada a participação de filiados e simpatizantes de todo o País no debate sobre as propostas a serem defendidas pelo partido, num processo aberto e participativo.Os subsídios recolhidos nesses eventos integrarão a pauta do ciclo de seminários que se inicia agora.

Em 2013, as propostas definidas serão levadas a debate no congresso nacional do partido, previsto para ocorrer em junho, em Brasília, onde então serão definidas as grandes linhas do programa partidário. Guilherme Afif reitera que o objetivo do PSD é chegar a um documento que vá além de um programa partidário: "Estamos construindo um projeto para a Nação."

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