PSD banca intervenção de Kassab em Minas

Por 14 votos a 1, Executiva da sigla ignora pedido de Kátia Abreu e reafirma decisão do prefeito paulistano de apoiar candidato do PT em Belo Horizonte

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h10

BRASÍLIA - Por 14 votos a um, o presidente nacional do PSD e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, derrotou nessa terça-feira, 24, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), na executiva nacional do partido, e obteve apoio para a intervenção que decretou no diretório municipal de Belo Horizonte.

A queda de braço entre o presidente do PSD e sua primeira vice, no entanto, ainda não terminou. Caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dar a palavra final sobre a legalidade da "operação BH", com a qual Kassab quis atender à presidente Dilma Rousseff .

A pedido do Planalto, o prefeito paulistano desmontou a aliança local com o PSB e o PSDB, passando a apoiar o PT do ex-ministro Patrus Ananias na corrida pela prefeitura da cidade. Os dirigentes do partido, no caso, não foram previamente consultados, embora o estatuto do partido assim o determine.

É precisamente este o motivo da revolta da senadora. Participantes da reunião relatam que ela não passou do tom nas críticas ao presidente nem fez qualquer ameaça de deixar a legenda caso contrariada, mas foi "altiva e firme" no registro do seu inconformismo. "Tem coisas que todos temos que obedecer: a Constituição Federal e o estatuto, que é a lei do partido", defendeu Katia Abreu.

O advogado do partido, Admar Gonzaga, fez a defesa jurídica da iniciativa de Kassab, afirmando que não se tratou de intervenção porque uma comissão provisória, como a de Belo Horizonte, pode ser dissolvida a qualquer tempo. Em seguida, Kassab argumentou que sua decisão foi política e absolutamente necessária, porque Minas Gerais é uma questão de relevância nacional e que o PSD não podia ficar a reboque do PSDB no Estado.

"Depois que o PSDB foi de toga ao Supremo, defender a posição de que nosso partido não podia ter direito aos recursos do fundo partidário e ao tempo de televisão, não podíamos ficar neutros na briga que se estabeleceu lá. Tínhamos que tomar a posição que tomamos", justificou, destacando que não era possível ver o ex-governador Aécio Neves "dar uma rasteira no PT" e cruzar os braços. "Seria uma ingratidão", acredita o prefeito.

"O racha ficou evidente e não há por que negar", admitiu ao final o secretário geral da legenda, Saulo Queiroz. Para ele, independentemente da decisão do TSE, o gesto de Kassab já produziu efeito positivo: "Mostrou que o PSD não é linha auxiliar de Aécio em Minas Gerais".

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