Andre Dusek/AE - 14/06/2011
Andre Dusek/AE - 14/06/2011

PSB vai ao ataque e Mercadante é chamado de ‘professor de Deus’

Em audiência, integrantes da sigla reagiram à posição do governo sobre o projeto espacial, que comandaram por 4 anos

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 03h00

Setores do PSB já manifestaram publicamente o incômodo com a posição do governo federal em relação ao projeto espacial que o partido comandou por quatro anos. Na audiência que discutiu o assunto na terça-feira, 14, na Câmara, o deputado Ribamar Alves (PSB-MA) chamou o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (PT), de "professor de Deus". "Deus fez o mundo em seis dias, e no sétimo, descansou. Alguém ensinou Deus a fazer esse mundo e eu cheguei à conclusão de que foi o Aloizio Mercadante. É o professor de Deus, que não recebe ninguém", afirmou o deputado. "Já enviei 155 e-mails pedindo audiência e ele nem sequer responde. É demais."

 

Antes dele, o vice-presidente do PSB e ex-diretor-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS), Roberto Amaral, presente ao debate como convidado, indicou ser contrário à política do governo federal. "Hoje qualquer ministro de Ciência e Tecnologia pode mudar o programa espacial brasileiro. Basta ele gostar mais ou menos desse ou daquele setor. É uma questão grave", disse. "As questões estratégicas não estão sendo bem tratadas. O programa espacial não está sendo tratado como questão estratégica, nem como política de Estado."

 

Outras autoridades do setor espacial presentes ao debate também demonstraram a insatisfação com o desenvolvimento do Brasil na área.

 

 

Além do Cyclone 4, o País tem trabalhado nos estudos de foguetes e satélites nacionais. No debate, houve consenso de que faltam recursos financeiros, tecnológicos e humanos para avançar, embora o País tenha uma condição geográfica favorável.

 

Indicado por Mercadante para presidir a Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp afirmou que o setor vive condição de "penúria". "O número de pessoas envolvidas é decadente", afirmou. Os dados mostram que 2 mil pessoas trabalham no programa espacial brasileiro, enquanto a Índia, um concorrente do mesmo patamar, conta com 16 mil.

 

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