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PSB usará voz das urnas para pleitear mais espaço

Com maior estatura após eleger seis governadores, sigla quer pastas que PMDB ambiciona; Eduardo Campos conversa hoje com presidente do PT

Malu Delgado, de O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 19h31

SÃO PAULO - Fortalecido com a eleição de seis governadores, a maioria no Nordeste, o PSB quer discutir a formação do governo de Dilma Rousseff (PT) com base na nova estatura do partido. Parlamentares e dirigentes da sigla não escondem que vão brigar, sobretudo com o PMDB, por dois ministérios estratégicos: Cidades e Integração Nacional.

 

Os dois ministérios são também cobiçados por peemedebistas. Há ainda sondagens feitas dentro do próprio PT. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, derrotado na eleição para o Senado em Minas Gerais, já apareceu como cotado para a pasta por petistas. A avaliação no PT é que não há espaço para Pimentel na equipe econômica num futuro governo.

 

O presidente do PSB, Eduardo Campos, reeleito governador de Pernambuco, foi chamado para uma conversa hoje à noite em Brasília com o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

 

"Vamos ouvir primeiro como Dilma está imaginando a formação do governo, saber os perfis. Nossa posição de apoio nunca se deu em função de cargos e, no governo Lula, ajudamos nos lugares onde participamos", afirmou Campos, que se recusa a antecipar nomes da sigla.

 

Encarregado pela futura presidente de receber os "pacotes" dos partidos, Dutra pretende traçar um perfil das demandas e apresentar um quadro mais completo a Dilma assim que ela retornar das viagens internacionais com o presidente Lula a Moçambique e Coreia do Sul.

 

"Fiquei muito satisfeito com o discurso da presidente eleita quando falou sobre profissionalização do governo. Isso soou como música para nossos ouvidos", diz Eduardo Campos. Questionado se a intenção do partido é indicar nomes mais técnicos, ele justifica: "Indicaremos pessoas com histórico administrativo. Não queremos criar nenhum tipo de constrangimento para Dilma e é ela quem definirá o perfil de seu ministério".

 

Capilaridade

 

A intenção do PSB de reivindicar os Ministérios das Cidades e da Integração Nacional justifica-se pela grande capilaridade de ambos. Com seis governadores - Eduardo Campos (PE), Cid Gomes (CE), Renato Casagrande (ES), Camilo Capiberibe (AP), Wilson Martins (PI), e Ricardo Coutinho (PB) -, o partido quer comandar uma pasta em que o contato com os Estados e municípios e a formulação de políticas públicas fique em maior evidência.

 

Os governadores eleitos têm, ainda, forte influência sob as respectivas bancadas no Congresso, o que aumenta o poder de pressão do PSB.

 

Hoje o PSB coordena o Ministério de Ciência e Tecnologia e a Secretaria Especial de Portos. A secretaria, com status de ministério, tinha estrutura precária no início do governo Lula. O Ministério de Ciência e Tecnologia é considerado bastante técnico e sem a interface política, especialmente com o Nordeste, buscada pelo partido atualmente.

 

Apesar de ter ocupado a pasta da Integração, Ciro Gomes não está entre os cotados do PSB. Se for para o governo, poderá ter cargo em um "organismo multilateral", dizem correligionários.

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