PSB trata como fato consumado lançamento de candidatura em Recife

Campos deixou claro que não acredita na reunificação do PT e na manutenção da frente partidária

Luciana Nunes Leal - de O Estado de S. Paulo,

14 de junho de 2012 | 20h20

RIO DE JANEIRO - O PSB nacional trata como fato consumado a candidatura própria à Prefeitura de Recife e o fim da aliança com o PT, pelo menos no primeiro turno da eleição municipal.

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A avaliação dos socialistas é que o PT está conflagrado de tal maneira na capital pernambucana que não conseguirá unidade em torno de nenhum nome. O candidato do PSB deverá levar a aliança com a grande maioria dos partidos que hoje formam a base do atual prefeito João da Costa, do PT, e do governador Eduardo Campos, do PSB. A hipótese de os petistas apoiarem o candidato socialista é considerada remota no PSB.

Em conversas com Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, partidos aliados e dirigentes socialistas locais têm cobrado o lançamento de uma candidatura alternativa ao PT. Nesta quinta-feira, 14, Campos deixou claro que não acredita na reunificação do PT e na manutenção da frente partidária, embora tenha evitado falar em possíveis candidatos socialistas.

"Eu sempre disse que a unidade do PT é muito importante para a unidade da frente e que a gente tinha que ter paciência, respeitar a dinâmica do PT. Mas estamos a 15 dias no período final das convenções partidárias e não há sinais de unidade no PT. Há ações na Justiça, recursos a instâncias partidárias e nenhum debate sobre a cidade. Esse jogo de nomes e essas divisões retiram do PT a condição de liderar o processo e unificar a frente. Quem diz não sou eu, são os fatos", afirmou o governador, depois de participar de um evento paralelo da Rio+20.

A crise petista chegou ao auge no fim do mês passado, quando a direção nacional anulou as prévias vencidas por João da Costa, que quer disputar a reeleição. O derrotado foi o deputado Maurício Rands, que denunciou irregularidades na votação interna. O comando nacional lançou o senador Humberto Costa, mas ele enfrenta intensa resistência do grupo do atual prefeito.

Para respeitar o prazo legal de desincompatibilização de candidatos de cargos públicos, Eduardo Campos exonerou na semana passada quatro secretários estaduais filiados ao PSB: Tadeu Alencar (Casa Civil); Danilo Cabral (Cidades); Sileno Guedes (Articulação Política) e Geraldo Júlio (Desenvolvimento Econômico). Entre eles será escolhido o nome do futuro candidato à prefeitura.

"Para ser prefeito do Recife não necessariamente tem que ter filiação ao Partido dos Trabalhadores. Não é um requisito legal nem político, como também não se exclui o PT. O candidato precisa ter compromisso com o povo, com a cidade e ter apoio. Se o PSB Tiver um nome com perfil de gestor, de confiança, por que não? Ser do PSB não pode ser cláusula de exclusão", disse o governador.

Dirigentes socialistas reclamam que o comando nacional do PT não prestou atenção quando foi alertado, no ano passado, para os problemas da sucessão em Recife. Em São Paulo, os líderes petistas, na avaliação do PSB, acreditavam que conseguiriam isolar João da Costa e impor um candidato. A realização das prévias, no entanto, pôs fim a qualquer chance de entendimento.

 

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