PSB rompe com PT por causa de programa

O PSB fluminense anunciou hoje o seu rompimento com o PT. O motivo foi o programa de televisão e rádio veiculado ontem no Rio pelos petistas, que divulgou trechos de gravações telefônicas nas quais o governador Anthony Garotinho (PSB), supostamente, falava no suborno de um fiscal, em 1995, quando não ocupava nenhum cargo público. A divulgação das fitas em meios de comunicação está proibida pela Justiça. O incidente também inviabilizou a reaproximação nacional entre os dois partidos, articulada pelo PT desde que Garotinho deu sinais de que pode não concorrer à Presidência.Em uma dura nota divulgada hoje, em que declarou aceitar o rompimento político, o comando regional do PSB disse que o PT do Rio "rompeu com todos os princípios que deveriam nortear a convivência com um partido co-irmão". O texto acusou os petistas de terem partido para "ataques pessoais e deboches" e assumido a "arrogância das elites mais atrasadas" em suas críticas a Garotinho. No programa, o governador era tratado como "Félix Molequinho". "A divulgação das gravações atesta a inconsistência da denúncia e a opção do Partido dos Trabalhadores pelos métodos fascistas de luta eleitoral", ataca o texto.O presidente regional do PSB, deputado Alexandre Cardoso, afirmou estranhar a divulgação das gravações, já que o comando petista as conhecia desde as eleições de 1998, quando o então candidato do PFL, César Maia, tentou usá-las na campanha eleitoral e foi proibido pela Justiça. O PT na época apoiava Garotinho. "Eles aprovaram todas as nossas ações para barrar a divulgação", disse o parlamentar, que pretende levar o caso à executiva nacional do PSB.Segundo apurou a Agência Estado, a decisão de divulgar as fitas foi consensual no comando petista, tendo sido apoiada, inclusive, pela Articulação, grupo da vice-governadora Benedita da Silva.Garotinho e o PSB discutiam, até o fim da tarde, que providências judiciais poderiam tomar contra o PT por causa da divulgação das fitas. Na véspera, pouco depois de assistir ao programa, o governador disse que o PT não tem maturidade política para governar o País e acusou os governadores do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, e a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, todos do PT, de terem suas administrações envolvidas em casos de corrupção.

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