PSB lança Paulo Skaf ao governo de São Paulo

Em discurso, candidato defendeu mensalidade em universidade pública e critica pedágio

Wellington Bahnemann / SÃO PAULO - Agência Estado

27 de junho de 2010 | 15h06

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançou neste domingo, 27, em São Paulo, o empresário Paulo Skaf ao governo do Estado. Skaf afirmou que poderá adotar o sistema de cobrança de mensalidade nas universidades paulistas para estudantes com condições para arcar com as despesas do ensino universitário, caso vença as eleições deste ano. "Isso é um estudo. Acredito que vale uma discussão em torno disso, porque é incoerente que alguém que possa pagar não pague nada e ocupe o lugar de quem não tem condições", afirmou o presidente licenciado da Fiesp, durante a convenção estadual do partido que ratificou a sua candidatura.

 

Cerca de 4 mil pessoas participaram da convenção do PSB, entre militantes, líderes regionais, deputados estaduais e federais e pré-candidatos. Entre os ausentes estavam o vereador de São Paulo Gabriel Chalita e a deputada federal Luiza Erundina, figuras de peso do PSB no Estado de São Paulo. Erundina já manifestou publicamente que não apoiará Skaf nas eleições por ser um candidato ligado ao empresariado. "Os dois não participaram, mas outros 300 estiveram aqui", minimizou Skaf.

 

Para Skaf, o tema exige avaliação cuidadosa, uma vez que o custo do estudante universitário para o governo estadual é elevado. "Tudo que for relacionado à inovação e à pesquisa deve ser mantido e ampliado. O que for relacionado aos alunos, precisa ser avaliado", acrescentou. O candidato ponderou que essa medida deve ser acompanhada por uma "revolução" na educação na rede pública estadual, viabilizando o estudo em tempo integral para o ensino fundamental e a integração entre ensino médio e o técnico no sistema público.

 

Além dessa questão, outra proposta é a redução do preço do pedágio para os motoristas paulistas. Segundo Skaf, a ideia é utilizar o valor arrecadado pelo Estado com o IPVA para garantir a redução de 100% no pedágio entre meia-noite e 7 horas e de 50% entre 7 horas da manhã e meia-noite. "Isso teria impacto de R$ 1 bilhão na parcela do IPVA referente ao governo estadual", explicou. De acordo com a ideia, até 50% do IPVA pago pelos usuários de veículos seriam usados para compensar o pedágio.

 

De acordo com Skaf, essa é a alternativa encontrada para corrigir uma distorção que prejudica os cidadãos do Estado sem quebrar o contrato com as concessionárias. "Em alguns trechos, paga-se R$ 200 de pedágios. Isso não é bom para as famílias nem para o transporte de comércio. Algo precisa ser feito, mas os contratos não podem ser quebrados", disse o candidato do PSB, acusando o PSDB de não ter pensando nos usuários quando adotou o atual modelo de concessão de rodovias para a iniciativa privada no Estado de São Paulo.

 

Skaf comentou que outra proposta na área de pedágios é o alongamento do prazo de concessão das rodovias com a redução das tarifas cobradas. "Mas, nesse caso, a redução não seria significativa", reconheceu.

 

Discurso

 

Em sua primeira disputa para um cargo político, Skaf aproveitou o seu discurso para se apresentar ao eleitorado, a exemplo do mote da campanha nas propagandas na televisão. Além de ressaltar a experiência adquirida ao longo dos anos durante a presidência da Fiesp, Sesi e Senai e argumentar que a sua candidatura representava um compromisso com a modernidade na gestão pública, Skaf também trouxe ao palanque a esposa e os cinco filhos. "A estrutura da família é fundamental", afirmou.

 

Boa parte do discurso foi centrado nas propostas na área de educação, tema que o candidato tem familiaridade por conta presidência do Sesi e do Senai. Skaf acrescentou que pretende adotar nas escolas públicas de São Paulo ações tomadas nas duas instituições - educação em tempo integral no ensino fundamental e integração entre o ensino médio e técnico. "Temos que colocar quase 3 milhões de alunos do Estado de São Paulo em tempo integral", disse, afirmando que pretende valorizar os professores da rede pública estadual.

 

Apesar das pesquisas eleitorais indicarem o seu nome com apenas 2% das intenções de voto, Skaf argumentou que um levantamento recente apontou que 80% do eleitorado paulista não escolheu o seu candidato para o governo estadual. "Isso mostra que depende só de nós. Faremos uma surpresa para quem acha que o PSB está brincando em serviço", afirmou. A candidata a vice-governadora do PSB é a médica Mariane Pinotti, filha do médico Aristodemo Pinotti (DEM), que morreu em julho de 2009.

 

(Atualizada às 16h13)

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