PSB espera ficar com 3 ministérios e o BNDES

Partido está de olho no Ministério das Cidades, hoje com o PP, ou no da Integração Nacional, nas mãos do PMDB

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2010 | 20h22

BRASÍLIA - O PSB quer aumentar sua participação no governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Depois de eleger seis governadores, os socialistas esperam ser contemplados no futuro governo com, pelo menos, três ministérios e uma estatal de vulto, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

O partido está de olho no Ministério das Cidades, hoje com o PP, ou no da Integração Nacional, nas mãos do PMDB. Os socialistas argumentam que querem uma pasta com "mais capilaridade" pelo Brasil - ou seja, um ministério com mais dinheiro e cargos. Hoje, o PSB comanda o Ministério da Ciência e Tecnologia e a pasta de Portos.

 

"Da base do governo, somos o partido que tem mais governadores. Nós governamos tantos brasileiros quanto os governadores do PT", observou o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. "O partido quer uma participação mais estratégica na definição da linha estratégica de governo", disse o senador e governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande.

 

A Executiva Nacional do PSB deverá se reunir nesta quinta-feira para fazer uma avaliação das eleições. Com uma bancada de 35 deputados federais, o partido estuda formar um bloco com o PDT e o PC do B para, desta forma, ganhar mais poder de fogo na reivindicação de ministérios.

 

Os três partidos (PSB, PDT e PC do B) ficarão com 74 deputados, a partir de 1.º de fevereiro. Juntos teriam chances de pleitear cinco ministérios: três para o PSB, um para o PC do B (que manteria a pasta de Esportes) e outro para o PDT, que continuaria com o Trabalho.

 

Integrantes da cúpula do PSB observam que, neste momento, qualquer especulação por mais cargos no futuro governo é muito embrionária. Mas parte dos socialistas está disposta a bater pé para que as indicações para o novo ministério tenham um perfil mais político.

 

A ideia é deixar de lado o caráter técnico dos atuais ocupantes das pastas de Ciência e Tecnologia e Portos. Além disso, integrantes do PSB argumentam que os ministros hoje são mais uma escolha pessoal do presidente Lula do que do partido.

 

Mal as urnas fecharam dando a vitória para Dilma e os nomes de socialistas para integrar o futuro governo não param de surgir. Ciro Gomes é o nome mais cotado para presidir o BNDES, caso o banco continue realmente na cota do PSB. Essa é a compensação que o partido quer dar ao deputado que, em maio, foi obrigado a desistir de se candidatar à Presidência.

 

Eleito deputado federal, Gabriel Chalita (SP) é outro quadro considerado para ganhar uma posição no futuro governo. Um dos ministérios que ele poderia vir a ocupar é o de Direitos Humanos. Chalita sonha, porém, com a pasta da Educação. Mas esta deverá ser mantida com um petista. Um dos nomes cotados é o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que foi derrotado na corrida pelo governo de São Paulo e ficará sem mandato.

 

Os socialistas avaliam, no entanto, que qualquer cargo dado a Chalita será muito mais fruto de sua relação com a própria Dilma e com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, do que uma indicação partidária. Chalita e Carvalho são católicos fervorosos e são próximos em virtude da religião.

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