PSB encolhe sob Dilma após Ciro ser preterido na Saúde e perde para o PT

Depois de ser convidado pela presidente eleita para assumir um ministério, deputado recusa Integração Nacional que é cedida a Fernando Bezerra, afilhado político do presidente da sigla

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo,

20 Dezembro 2010 | 22h00

BRASÍLIA - O deputado Ciro Gomes (PSB-SP) não integrará o governo Dilma Rousseff e a cota de poder de seu partido, o PSB, foi fixada em apenas dois ministérios - Integração Nacional e a nova pasta de Portos e Aeroportos -, e não mais em três pastas, como pedira a cúpula da legenda, que apoiou a presidente eleita na campanha eleitoral deste ano.

 

"O Ciro sempre registra que gosta muito da Dilma, que está torcendo por ela e estará às ordens para contribuir, mas que, por ora, não deverá assumir um ministério", disse nesta segunda-feira, 20, ao Estado o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). O irmão de Ciro reuniu-se em Brasília com Dilma e com o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT).

 

O governador não quis dar detalhes da conversa, mas um dos dirigentes do PSB que também participou da reunião com Dilma e Palocci, revelou o motivo da desistência de Ciro. "Ele aceitaria o desafio da Saúde, mas, como essa pasta já está compromissada, Ciro não quis voltar para a Integração Nacional."

 

Ciro comandou a Integração Nacional no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste ano, foi convencido pelo próprio presidente a desistir de concorrer à Presidência em prol de Dilma. Em troca, cacifou-se para ocupar um ministério do novo governo.

 

A reunião da cúpula do PSB com a presidente eleita nesta segunda durou cerca de uma hora e meia. Dilma deixou claro que a Saúde já estava "comprometida" com o petista Alexandre Padilha e que não havia condição política de aumentar a fatia do PSB no governo. Alegou que era necessário haver "um equilíbrio" na representação dos partidos aliados na Esplanada dos Ministérios e lembrou também que precisava de mais espaço para acomodar os pleitos do próprio PT.

 

Ciro ainda deixou em aberto a possibilidade de participar do governo Dilma no futuro. "Ele até se reserva para eventualmente colaborar com o governo mais adiante, em outra oportunidade", disse o governador cearense. A saída de cena de Ciro, no entanto, não produziu a solução esperada pelo PSB, embora sua decisão tenha facilitado o entendimento da sigla com Dilma.

 

Para a Integração Nacional, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, deve indicar o ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho. Dessa forma, a bancada do partido na Câmara dos Deputados, que reivindicava a segunda vaga no ministério, não será atendida por Dilma.

 

Na área de Portos e Aeroportos, o governo planeja nomear um gestor e até o início da noite o PSB ainda não havia fechado um entendimento em torno de quem teria o perfil mais adequado para atender às exigências do Palácio do Planalto.

 

"Temos um passivo na bancada e vamos resolver isso com diálogo. Portos e Aeroportos é uma área que requer muito conhecimento técnico e nós achamos que é importante ter um gestor nessa área para tentar buscar resultados rápidos, sem por em risco a estrutura para a realização da Copa do Mundo de 2014", explicou um dirigente do PSB.

 

No domingo, o grupo encabeçado pelo governador pernambucano já havia se reunido em Recife para um acerto preliminar. Participaram das duas conversas o governador Cid Gomes, deputados e senadores.

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