PSB e Rede 'estão se conhecendo melhor', dizem líderes

Líderes do PSB avaliaram com ponderação as restrições impostas pela Rede Sustentabilidade a possíveis alianças com partidos que estavam discutindo a adesão à candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República. Para os aliados de Campos, PSB e Rede estão em fase "de se conhecer melhor" e "acostumar a conviver" juntos, exatamente como num casamento, onde marido e mulher cedem um pouco para viver em harmonia.

DAIENE CARDOSO E RICARDO BRITO, Agência Estado

14 de outubro de 2013 | 18h58

"Ela (Marina Silva) vai trazer hábitos e nós os nossos. Vamos ter de encontrar hábitos comuns. O peso dela vai mudar o nosso pensamento, mas nós esperamos que o oposto também possa acontecer", resumiu o presidente do diretório paulista, deputado federal Márcio França.

Os apoiadores do governador pernambucano sabem que a coligação "elimina" de imediato a aproximação de alguns partidos que estavam no radar de Campos, como o DEM do líder na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), e o PP. "Quando você casa, você tem de deixar de namorar outras pessoas", exemplifica França.

Após o anúncio da aliança, a ex-senadora deixou claro que não aceitaria Caiado em seu palanque por incompatibilidade de ideias. Dias depois foi a vez de seu aliado, o deputado federal Walter Feldman (SP), avisar que o PDT não se enquadrava na "ótica" da Rede por causa das denúncias de corrupção no Ministério do Trabalho. Os aliados de Campos se resignaram em relação ao DEM por entender que um eventual apoio do partido sofreria resistências dentro do próprio PSB, mas acreditam que podem fazer Marina mudar de posição em relação ao PDT.

"O diálogo vai fazer com que a gente chegue a boas conclusões. O PDT tem figuras históricas importantes e o diálogo com o partido vai se basear em programas", defendeu o presidente do diretório municipal do Rio de Janeiro, deputado federal Glauber Braga. O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), também contemporiza. "Se nós já temos problemas internos, imagine agora quando temos duas visões de mundo em um só partido", questiona ele, ao destacar que sua legenda sempre teve uma ótima relação com os pedetistas.

Em um discurso para eliminar ruídos na nova "relação", os pessebistas entoam o "mantra" de que qualquer aliança terá como base a "afinidade programática". "Isso (discussão sobre futuros aliados) não será objeto de divergência entre nós", previu Braga. "Não dá para fazer conciliação absoluta. No que for possível, o bom é conciliar. Mas tenho esperança que, na convivência, ela (Marina) aceite algumas coisas", disse França.

O dirigente do PSB paulista sabe que poderá haver momentos de tensão da coligação, mas acredita que, apesar de Marina ser uma pessoa de temperamento forte, será possível convencê-la a encontrar um "meio termo" na nova convivência. "Sou graduado em (Luiza) Erundina e pós-graduado em Romário", brincou França, comparando a ex-senadora aos parlamentares do PSB. "Eles são difíceis, mas têm sua popularidade", emendou.

Rejeição

Os apoiadores de Campos avaliaram como "coerente" a decisão da Rede de não participar das instâncias partidárias do PSB. França disse que, ao participar da Executiva e dos diretórios do PSB, os marineiros poderiam passar a impressão de que haviam desistido de criar uma legenda. "O simbolismo não seria bom para eles", comentou. O dirigente acredita que, ao integrar o comando do PSB, os dirigentes da Rede poderiam se "envolver" além do esperado com o PSB e passar a mensagem aos seus apoiadores de que não era apenas uma coligação. "Para nós, (a oferta de cargos) foi um ato de gentileza".

Braga afirmou que vê como "natural" a recusa de cargos dos aliados de Marina. "A Rede foi coerente. A gente tem que compreender e respeitar suas decisões", respondeu. Rollemberg também faz coro. "É absolutamente natural porque a Rede está se juntando ao PSB com uma filiação programática".

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