PSB e PPS dizem que vão se fundir até junho

Opositores terão reforço de Marta Suplicy, que quer disputar Prefeitura de São Paulo; ainda há divergências quando ao nome da nova agremiação

DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 Abril 2015 | 02h05

PSB e PPS anunciaram ontem o início do processo de fusão das duas siglas que deverá resultar em um novo partido de oposição no País. A ideia é que o trâmite seja concluído até junho para que em outubro o novo partido esteja apto legalmente para disputar prefeituras das capitais. A grande "estrela" da nova sigla será a senadora Marta Suplicy (SP), que deixou o PT anteontem, e se filiará nos próximos dias ao PSB para concorrer à prefeitura paulistana.

"A vinda de Marta damos como certa. Será nos próximos dias. Teremos nomes competitivos para quase todas as capitais nas eleições de 2016", anunciou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Com a fusão, PPS e PSB terão três governadores, nove senadores (já incluindo Marta Suplicy e a ex-tucana Lúcia Vânia, que estão em negociação) e 45 deputados federais, tornando-se a quarta força no Congresso Nacional, sendo o segundo principal partido da oposição, atrás apenas do PSDB. "Não temos motivos para apoiar o governo", enfatizou Siqueira.

Resistência. Há, porém, resistências internas no PSB com a fusão. O motivo é que o partido assumiu uma postura de independência em relação ao governo, enquanto o PPS tem um forte discurso de oposição.

Parte da bancada do PSB considera que o PPS faz uma oposição "raivosa" e incompatível com o programa do antigo partido de Eduardo Campos. "Tem de ser uma oposição que racionalize e não uma oposição por oposição", criticou o deputado Bebeto Galvão (PSB-BA).

Os deputados contrários à fusão, chamados internamente de "governistas", fizeram questão de não comparecer ao anúncio oficial do início do processo que transformará as siglas em um único partido. Eles alegam que são visões de mundo e de País distintas, que não têm como coexistir no mesmo espaço partidário. "É o casamento da cobra com o jacaré", classificou Bebeto. Além disso, alegam que só foram consultados sobre a reunião na noite de anteontem.

Outra preocupação é com o alinhamento com os tucanos para as eleições presidenciais de 2018, o que contradiz o discurso do partido que, ao deixar a base governista em 2013, dizia não aceitar a pecha de "satélite" do PT. "Agora, o PSB caminha para ser satélite do PSDB", protestou o deputado Glauber Braga (PSB-RJ).

Na entrevista coletiva que anunciou a fusão ontem, o presidente do PPS, Roberto Freire, minimizou as diferenças de posição das legendas e disse que agora eles buscarão a unidade entre as duas siglas.

Setores mais oposicionistas do PSB também apostam em um acerto. "A gente sente deles uma disposição de rever alguns pontos", comentou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). A primeira sinalização dos novos rumos no discurso e de um possível alinhamento com o PSB foi demonstrada no anúncio da fusão, quando Freire disse que o movimento pró-impeachment de Dilma não foi discutido no PPS. "As condições não estão dadas" justificou. Recentemente, a direção do PSB aprovou posição contra o impedimento da presidente.

Novo nome. A primeira divergência pública é sobre o novo nome da sigla. Os pessebistas defendem que seja mantido PSB com a inclusão do número 40 da legenda. "Somos uma marca consagrada, não tivemos decréscimo de uma eleição para outra. Acho que não devemos mudar uma marca que está dando certo", defendeu Siqueira. Já o PPS quer que fique PS (Partido Socialista). "Isso não será impedimento para algo muito maior", desconversou Freire.

Na seara da oposição ao governo, DEM e PTB também negociam uma futura fusão.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.