PSB deve entregar cargos se quiser Presidência, diz Ciro

Ex-ministro voltou a criticar Campos e o que chamou de ‘banquete fisiológico’ e ‘clientelista’ entre as siglas da base aliada ao governo

Heliana Frazão, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 23h30

SALVADOR - O ex-ministro Ciro Gomes disse nesta terça-feira, 26, que se o PSB pretende lançar candidatura própria à Presidência no ano que vem deveria entregar os cargos que ocupa no governo da presidente Dilma Rousseff e mostrar à sociedade brasileira as falhas da atual administração. Ele voltou a criticar a articulação do presidente do seu partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, cotado para disputar o Planalto em 2014.

"Como alguém quer ser presidente da República sem percorrer o País, expondo suas ideias, mostrando os erros e o que pode ser feito. Se o cara é candidato contra a reeleição da Dilma, então tem que sair do governo. Sou um velho que se mantém preso às suas crenças na lealdade, coerência, e na decência", afirmou Ciro, após uma palestra para empresários em Salvador.

Ele criticou também o que chamou de "banquete fisiológico, clientelista, quando não corrupto" que existiria entre os partidos da base aliada ao governo. "Sempre defendi candidatura própria. Se nós queremos ter uma candidatura própria temos que dizer por que e agora, porque o povo não vai entender que a gente fique comendo migalhas debaixo da mesa do banquete do PT-PMDB e seis meses antes (da eleição) saia do governo."

O ex-ministro abriu uma crise no PSB ao declarar no sábado que Campos não está preparado para comandar o País. Ciro ressaltou nesta terça que defende a permanência de Dilma na Presidência porque a provável candidata do PT "é muito melhor" as outras opções "já postas".

Ele ponderou, no entanto, que não quis desmerecer as eventuais candidaturas de Campos (PSB), de Aécio Neves (PSDB) e de Marina Silva (sem partido). Para Ciro, esses eventuais candidatos, até então, não apresentaram ideias ou projetos para o desenvolvimento do País.

‘Genericamente’. Embora o irmão tenha reiterado críticas na capital baiana, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), assegurou nesta terça que ele não fez "nenhum gesto" de agressão a Campos quando disse que o governador pernambucano "não tem proposta" para o País. "Conversei com o Ciro hoje (ontem). O que ele me disse que não fez nenhum gesto de agressão ao Eduardo.

Disse que tem preocupações com projetos para o Brasil - e falou isso genericamente", afirmou Cid, após um encontro de duas horas com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. "O Eduardo me disse, também brincando, que a mãe dele dizia que dois só brigam quando os dois querem. Quando um não quer não tem briga. E ele jamais vai brigar com o Ciro. Então, eu espero que essa questão seja ou esteja superada."

Para o governador do Ceará, a audiência com Dilma não pode ser interpretada como um gesto para o enfraquecimento da pretensão de Campos. " Isso é procurar chifre em cabeça de cavalo. Eu sou governador de um Estado, a Dilma é presidente da República, nós temos muitas parcerias."

Apesar dos elogios a Dilma, na palestra em Salvador, Ciro Gomes também fez críticas à política econômica do governo. Segundo ele, o setor econômico nacional "vive na melhor das hipóteses um período medíocre".

COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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