PSB descarta fusão com 'partido do Kassab' antes de 2012 e esfria acordo

Líderes do partido aliado de Dilma agora querem apenas se coligar com o PDB, sigla a ser fundada pelo prefeito de São Paulo, o que diminui poder de atração da estratégia criada para driblar legislação e viabilizar sua candidatura ao governo em 2014

Julia Duailibi, de O Estado de S. Paulo

14 de março de 2011 | 23h00

A cúpula do PSB começou a defender a coligação, e não mais uma fusão, como saída para o partido se aliar ao PDB (Partido da Democracia Brasileira), sigla a ser criada pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM). Integrantes da executiva nacional e líderes do PSB no Congresso querem postergar qualquer discussão sobre a fusão para depois da eleição municipal de 2012.

 

Em jantar na casa do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, há cerca de 15 dias, a ideia foi lançada pelas principais lideranças do PSB como a alternativa "mais sensata" no momento. A proposta enfraquece os planos de Kassab de lançar neste ano uma terceira força partidária, que faria um contraponto à polarização entre PSDB e PT nas próximas eleições.

 

"Não há necessidade de discutir a incorporação ou a fusão neste momento", afirmou Casagrande, para quem a discussão após 2012 "é mais madura". "Não vamos antecipar o debate, mas vamos nos manter próximos", completou o governador.

 

"Ano que vem tem eleição. Dá-se impressão de que essa é uma tática ou estratégia para burlar a Justiça. No momento, preferimos que Kassab crie o partido e, lá na frente, se for conveniente, vamos sentar e conversar", disse Antonio Carlos Valadares (SE), líder do PSB no Senado.

 

A nova legenda é uma saída política para que o prefeito e aliados possam deixar o DEM, ou outros partidos, sem terem o mandato questionado na Justiça por infidelidade partidária - a legislação permite a troca de sigla em caso de migração para uma nova. Depois de criada a legenda, a ideia seria promover a fusão. Mas, sem esse acordo já na eleição do ano que vem, Kassab teria de defender sua sucessão numa legenda nanica, que ficaria refém de uma coligação com o PSB para ter tempo de TV.

 

A cúpula do PSB é a favor da vinda de Kassab, principalmente por avaliar que a chegada do prefeito fortalece a legenda no Sudeste. Para pessebistas, no entanto, o efeito colateral seria uma descaracterização da legenda ao incorporar o prefeito e aliados - Kassab poderia levar até 27 deputados que não teriam ligação com a formação socialista da sigla. No PSB, também há dúvidas sobre o desgaste de se aliar a um projeto que, na avaliação das lideranças, já nasce com a marca de "partido da janela".

 

"Levantou-se a possibilidade de fazermos agora um acordo nacional de coligação e, depois da eleição de 2012, fazermos a incorporação", afirmou o primeiro-vice-presidente do partido, Roberto Amaral. Para o senador Rodrigo Rollemberg (DF), a "incorporação" só deve ser discutida depois de o prefeito viabilizar o novo partido. "Primeiro, Kassab tem uma lição de casa a ser cumprida, que é a criação do novo partido. A partir daí, vamos discutir. Fala-se em aliança para 2012 e, depois, incorporação."

 

O adiamento da discussão sobre a fusão entre PSB e PDB não significa um veto para a entrada de Kassab na legenda. Pelo menos, não agora. "Se Kassab quiser vir para o PSB agora, será muito bem-vindo. Mas fazermos a fusão neste momento, desta maneira, não é boa solução", afirmou um dos principais líderes do partido. "No momento, não é adequado defender isso, em respeito aos nossos filiados, à Justiça e àqueles que vão entrar", afirmou o senador Valadares.

 

Kassab encontrou-se com o presidente do PSB, Eduardo Campos, há cerca de 15 dias para tratar da fusão. A ponderação a respeito do prazo pós-eleição foi feita ao prefeito. Para os advogados envolvidos na criação do novo partido, a coligação é, no momento, a melhor saída, justamente por não dar o caráter de que foi uma estratégia criada para se burlar a Justiça.

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