PSB defende realização de novas eleições para presidente e vice

Convocação de novo pleito evita que Presidência da República seja assumida pelo vice-presidente Michel Temer ou pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ); Prioridade do partido será a saída de Cunha, réu na Lava Jato

Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 16h07

Brasília – A cúpula do PSB reuniu-se com a bancada do partido na Câmara nesta quarta-feira, 9, para discutir a atual crise política. A partir do encontro, ficou decidido que a sigla defenderá a realização de novas eleições para presidente da República e vice-presidente simultaneamente às eleições municipais deste ano.

Em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, o partido tomará decisão mais adiante, apesar de deputados afirmarem que a maioria da bancada é favorável ao impedimento da petista.

Os quatro indicados para integrar a comissão que julgará a admissibilidade do processo se comprometeram a seguir a posição a ser definida pela legenda.

“Preferimos, ao invés de impeachment, a realização de novas eleições”, disse o presidente do PSB, Carlos Siqueira. A posição majoritária não foi consensual. Alguns representantes do partido defenderam a realização de eleições gerais, mesma tese defendida ontem pelo líder do governista PSD, Rogério Rosso (DF).

Os parlamentares avaliaram que a convocação de eleições gerais sanaria duas consequências das opções hoje colocadas. Eles temem que a cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permita que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assuma a presidência da República. Já quanto ao impeachment, a ressalva é que, com a saída de Dilma, assumiria o vice-presidente Michel Temer.

O partido também decidiu manter a obstrução das votações, assim como os demais partidos da oposição. Mas a prioridade do PSB não será a realização do processo de impeachment, mas a saída de Cunha, réu na Lava Jato.

“A prioridade é Eduardo Cunha para que ele não prejudique qualquer outro processo aqui”, afirmou Beto Albuquerque, vice-presidente de Relações Governamentais do PSB.

Um dos principais críticos de Cunha, o deputado Julio Delgado (PSB-MG) vai subir o tom dos pedidos para que o peemedebista seja afastado. “Houve intenção de alterar um voto no Conselho de Ética”, afirmou em alusão à suposta falsificação de uma assinatura para garantir voto favorável a Cunha, como mostrou reportagem da “Folha de S. Paulo” desta quarta-feira. Delgado disse também que o partido pedirá ao Ministério Público que investigue o caso.

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