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PSB de Campos se antecipa a Dilma e deixa governo nesta quarta-feira

Entrega dos cargos não significa lançamento de candidatura própria à presidência, segundo o governador de Pernambuco e presidente da legenda

João Domingos , O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2013 | 20h12

Brasília - O PSB se antecipou ao Palácio do Planalto e deve anunciar nesta quarta-feira, 18, o desembarque do governo da presidente Dilma Rousseff e a entrega dos cargos que tem no ministério e em estatais. Na reunião marcada para esta quarta, a ala do partido que defende a saída tentará convencer os dilmistas da legenda a acatarem a decisão. Também será decidido que não haverá retaliação ao PT nos Estados governados pelos socialistas.

Os motivos da decisão foram explicitados nesta terça-feira, 17, pelo presidente do PSB e possível candidato a presidente nas eleições de 2014, Eduardo Campos. "Os cargos nunca precederam nem orientaram a aliança que fizemos há mais de dez anos com a frente política que está no poder", disse. "Nossa relação com os governos de Lula e de Dilma sempre foi de apoio desinteressado", completou o governador de Pernambuco.

Conforme Estado noticiou na quinta-feira passada, Dilma tinha decidido demitir os ministros do PSB levando em conta queixas feitas por outros partidos aliados do Nordeste, segundo a qual Campos estaria tendo uma posição ambígua. A despeito de integrar a base aliada com postos importantes como o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria Especial de Portos, a legenda articula candidatura própria à presidência, adversária à da petista, que deve tentar a reeleição.

Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convenceu Dilma a recuar. Lula acha que ainda é possível dobrar Campos e adiar a candidatura para 2018.

A direção do PSB, no entanto, sentiu-se constrangida com a situação e nesta terça, durante almoço com Campos, defendeu a entrega dos cargos. "O partido está constrangido com as ameaças que vêm sendo feitas por intermédio dos jornais. Nós nunca brigamos por cargos", disse o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS).

Integrantes do partido lembraram que, em janeiro de 2012, o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), procurou Dilma e falou da decisão de sair, mas a presidente não aceitou a demissão. O PSB então divulgou nota dizendo que permanecia no governo, mas não por causa dos cargos.

Candidatura. Apesar da saída, a decisão a ser manifestada não significará o anúncio da candidatura de Eduardo Campos à sucessão presidencial. "A decisão sobre o debate sucessório só ocorrerá em 2014. Essa é uma decisão tomada pelo partido lá atrás e será cumprida", declarou Campos.

Ele tentou empurrar a decisão de devolver os cargos para o ano que vem. Mas durante o almoço desta terça com a cúpula do PSB ele foi convencido a convocar a reunião extraordinária da Executiva e fazer o anúncio oficial.

Cid. Nela também haverá uma tentativa de forçar o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), a obedecer o que for decidido pela Executiva. Ele é favorável a que o partido permaneça no governo.

Ao tomar conhecimento de que poderia haver o rompimento com o governo e a consequente entrega dos cargos, Cid Gomes planejou filiar o ministro Leonidas Cristino (Portos) no Pros, partido que está sendo criado. Cid Gomes negocia também a filiação de alguns aliados no Solidariedade, o partido que o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) está criando.

A executiva do PSB deverá decidir ainda que o partido não pedirá cargos do PT ou de outros aliados que façam parte da equipe de governos socialistas. Campos disse, por exemplo, que não vai fazer mudança em seu secretariado por causa da decisão do partido. Chegou a comentar que Dilma pode contar com o apoio da legenda no Congresso.

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