PSB começa articular retirada da pré-candidatura de Ciro Gomes

Deputado garantiu apoio a Dilma Rousseff para a sucessão da Presidência da República

Eugênia Lopes e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 19h38

BRASÍLIA - A cúpula do PSB iniciou uma articulação com o Palácio do Planalto para abortar a pré-candidatura à presidência da República do deputado Ciro Gomes (CE). A ideia é promover um encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Ciro para minimizar danos e, dessa forma, garantir o apoio do deputado à candidatura da petista Dilma Rousseff. O Planalto teme que, uma vez rifado pelo próprio partido com o patrocínio do governo, Ciro saia atirando.

 

"O apoio do Ciro para a Dilma é muito importante", resumiu nesta segunda-feira o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Coube ao presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a missão de encontrar a saída menos traumática para sacramentar a desistência de Ciro da disputa presidencial. Campos, que estava na segunda à noite em Brasília para participar de um jantar com o presidente Lula em comemoração aos 50 anos da cidade, pretendia conversar com um grupo de socialistas sobre o futuro da candidatura de Ciro.

 

Ciro ficou a segunda-feira em Brasília, mas não apareceu na Câmara, nem procurou seus colegas de bancada. Na noite anterior, o deputado jantou com a família em um restaurante badalado de Brasília. A Executiva do PSB se reúne na próxima terça-feira, dia 27, para bater o martelo sobre futuro da candidatura de Ciro Gomes.

 

Uma das hipóteses é que o partido apoie informalmente a candidatura de Dilma Rousseff , a exemplo do que ocorreu em 2006. Sem a aliança formal, o PT não teria o tempo de televisão do PSB.

 

Em troca da desistência de Ciro, o PSB espera ganhar algumas contrapartidas nos Estados. Os socialistas querem que em alguns locais o PT apoie seus candidatos ao governo do Estado. É o caso do Piauí, onde o governador Wilson Martins é candidato à reeleição, mas parte do PT no Estado defende a candidatura própria. No Amapá, o PSB vai lançar Camilo Capiberibe, filho do senador cassado João Capiberibe. O PT estuda apoiar o candidato do PP ou do PTB.

 

"Se dessem uma demonstração de boa vontade em alguns locais facilitaria", reconheceu o secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES). Candidato ao governo do Espírito Santo, ele se resignou com a decisão de o PT apoiar a candidatura de Ricardo Ferraço, do PMDB. Mas gostaria que a ex-ministra Dilma Rousseff também subisse em seu palanque no Estado. "Não é só uma questão de alianças", observou Casagrande.

 

O PT apoia o PSB como cabeça de chapa em três Estados: a reeleição dos governadores do Ceará, Cid Gomes; do Rio Grande do Norte, Iberê Ferreira; além de Eduardo Campos. Nos Estados onde há aliança entre o PT e o PSB, os socialistas são contrários à candidatura de Ciro Gomes à presidência da República.

 

A pretensão de Ciro se candidatar à sucessão de Lula perdeu força dentro do PSB depois do artigo do deputado, na quinta-feira passada, em que atacou o partido. "O artigo dele criou um constrangimento para o partido", disse Casagrande. Desde então, o deputado mantém-se isolado, comunicando-se apenas por meios eletrônicos. Anteontem, Ciro postou em seu twitter um agradecimento: "Muito obrigado pela força! Mais de três mil manifestações de apoio postadas no cirogomes.com. Sigo lutando!".

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