PSB: Ciro terá de aceitar decisão sobre candidatura à presidência

Após reunião de duas horas com Lula, Eduardo Campos disse que decisão é do partido

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 11h33

BRASÍLIA - O presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse há pouco que o pré-candidato do partido à Presidência da República, Ciro Gomes, terá de aceitar a decisão da legenda sobre o destino da sua candidatura. Em entrevista na portaria do Palácio da Alvorada, após encontro de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Campos relatou que Ciro já tinha aceito essa posição do partido. "A decisão que ocorre na próxima terça-feira vai ser compactuada por Ciro e por todos os companheiros, pois isso foi compactuado com ele", disse.

 

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Embora Campos tenha dito que o partido ainda não decidiu se a candidatura Ciro vai ser levada adiante, a maioria dos diretórios do PSB já deixou claro que quer uma aliança com a pré-candidata do PT e preferida de Lula, Dilma Rousseff.

 

Campos evitou comentar a entrevista de Ciro ao Portal IG em que o pré-candidato do PSB disse que Lula está "viajando na maionese" e Dilma é menos preparada que o tucano José Serra para enfrentar uma possível crise cambial no próximo governo. "Vamos fazer esse debate com tranquilidade. Essa opinião do Ciro não é a minha", disse Campos. "Agora é a hora de ouvir a base do partido como o Ciro pediu. Cada um é livre para dar sua opinião", completou.

 

Na entrevista, o governador ressaltou que Ciro já foi candidato a presidente duas vezes e que sabe que precisa ter um partido unificado. Diferentemente de Ciro, ele avaliou que o partido não corre risco de perder espaço se não apresentar candidatura própria. "Em 2006, não tivemos candidato próprio e crescemos. De lá para cá, sempre tivemos crescido", disse.

 

Campos, a todo momento, procurava demonstrar uma posição de árbitro no processo interno do PSB. "Quem disser que está decidido, está mentindo, está chutando, está mal informado. O debate está aberto. Eu sempre defendi uma candidatura própria", disse. No entanto, logo depois, Campos reconheceu que Lula é o coordenador do processo de sucessão na base aliada, que tem o PSB como um dos seus partidos. "Seria estranho, depois de participar de duas eleições do presidente, se não entendêssemos que ele é o coordenador do projeto. Ele sempre deu a direção".

 

Questionado se Lula conseguiu asfixiar o PSB e impor o apoio do partido a Dilma, o governador disse apenas que era preciso levar em conta a realidade do PSB, que conta com quatro governadores (Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí) e representantes em cinco governos do PT. Ao final da entrevista, Campos evitou responder a uma pergunta se a missão dele agora era tentar acalmar Ciro Gomes.

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