PSB aprova apoio à candidatura do PT ao governo do Rio

Ao defender aliança, vice presidente do partido criticou parceria da legenda com o PSDB em São Paulo

Luciana Nunes Leal , O Estado de S.Paulo

21 Junho 2014 | 16h11

RIO - No dia seguinte da formalização da aliança dos socialistas com o governador tucano Geraldo Alckmin em São Paulo, o PSB do Rio aprovou neste sábado, 21, em convenção, por 113 votos a 24, a coligação com o PT do candidato a governador Lindbergh Farias. O principal argumento dos defensores da aliança foi de que é a melhor opção para fortalecer a candidatura do pré-candidato do PSB a presidente, Eduardo Campos. Ao defender a união PT-PSB no Rio, o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, classificou como "lamentável" a união de socialistas e tucanos em São Paulo.

"Essa aliança no Rio vai oxigenar a campanha de Eduardo pela esquerda. Se vencermos aqui, o Rio vai ser a resistência de esquerda do País. Em São Paulo, com a nossa lamentável ajuda, vai ser (vitorioso) o PSDB", discursou Amaral, aplaudido por cerca de 200 delegados. A convenção também aprovou a candidatura do ex-jogador de futebol e deputado Romário (PSB)  ao Senado. 

Mais cedo, em entrevista ao Estado, o vice-presidente socialista disse que a aliança dos socialistas com Alckmin "cria problema" para o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves. Com a aliança, Campos, ganhou um palanque no maior colégio eleitoral do País. . Em São Paulo, os socialistas indicarão o candidato a vice-governador.

"Na minha lógica, essa aliança em São Paulo beneficia o Eduardo e cria problema para o Aécio, o que me deixa muito feliz. É mais uma dificuldade para o Aécio", disse Amaral. 

Ex-ministro da Ciência e Tecnologia no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dirigente socialistas afirmou que o caminho natural em São Paulo era manter a aliança com os tucanos.

"Já estávamos aliados ao governador Alckmin e a continuidade era a lógica. Além disso, ele nos ofereceu a vice-governadoria, o que significa quase um ano de governo (porque Alckmin, se disputar algum cargo eletivo daqui a quatro anos, terá que deixar o cargo em abril de 2018). Temos a esperança de disputar as eleições de 2018 (estando) no governo de São Paulo", afirmou Amaral.

Amaral sustentou, que a mesma lógica do problema para Aécio não vale para a presidente Dilma Rousseff no Rio, apesar da aliança PSB-PT. Segundo o vice-presidente do PSB, a ideia da aliança fluminense foi "unificar todas as forças progressistas para deter forças da direita". Lindbergh já tinha fechado coligação com o PC do B e o PV e terá como adversários o ex-governador Anthony Garotinho (PR), o senador Marcelo Crivella (PRB), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM). "Os partidos de esquerda estão unidos no Rio e, com a candidatura de Romário, contribuímos para aproximar a esquerda do povo", disse Amaral.

Eleito presidente do PSB-RJ, em substituição a Romário, o deputado Glauber Braga disse que o sonho de todo partido é ter candidatura própria, mas que o quadro no Rio indicou a necessidade de apoio ao PT e lembrou que a presidente Dilma Rousseff tem ignorado até agora a candidatura de Lindbergh, embora seja seu companheiro de partido.  A presidente tem feito viagens frequentes ao Rio, sempre para inaugurações e compromissos com Pezão. 

Glauber e Amaral destacaram o objetivo de vencer o PMDB no Rio. No Estado, dissidência do PMDB liderada pelo presidente regional do partido, Jorge Picciani, lançou o movimento "Aezão", de voto conjunto em Aécio e Pezão. "Deixa a Dilma de braço dado com o Pezão e o Picciani de braço dado com Aécio", discursou Glauber ao defender o apoio a Lindbergh.  

O prestígio de Romário, ex-jogador de futebol até hoje admirado por várias torcidas, foi comprovado ontem quando o deputado chegou ao local da convenção. Torcedores do Flamengo o receberam com gritos de "presidente". Mesmo não sendo delegados do PSB, eles subiram até a sala onde se realizada a convenção, o que causou certa confusão. 

A aliança com o PT se firmou depois que o deputado Miro Teixeira, do PROS, desistiu da pré-candidatura ao governo do Rio, em aliança com o PSB, alegando que os socialistas do Rio não tinham aceitado a coligação e que não havia "ambiente" para a campanha conjunta. Roberto Amaral contestou a versão de Miro e disse que a "prioridade" do PSB era a aliança com o PROS. "Estávamos com Miro. Mas agora isso é passado", disse o vice-presidente socialista.

Questionado sobre como será a dinâmica da campanha de Lindbergh, aliado da presidente Dilma Rousseff, com Romário, que está com Eduardo Campos, Amaral disse não haver problema. "Romário pede voto para Eduardo e Lindbergh pede voto para Dilma". 

A tese contrária à aliança com o PT e pela candidatura própria do PSB foi defendida pelos deputados Alfredo Sirkis e pelo ex-deputado e fundador do PT Vladimir Palmeira. "Se o objetivo é firmar uma terceira força (na disputa presidencial, para enfrentar Dilma e Aécio), não há sentido algum em fazer aliança com o PT no primeiro turno. Isso compromete as chances do Eduardo no Rio de Janeiro, onde ele já tem dificuldade, porque o Aécio está mais à vontade", disse Sirkis, lembrando o fato de que o candidato tucano, ex-governador de Minas, tem ligações antigas com o Rio  de Janeiro e divide a moradia entre Belo Horizonte e Rio. Em texto divulgado ontem, Sirkis disse que a aliança PSB-PT no Rio era uma "suruba".

"Um candidato a presidente como Eduardo Campos, que quer se renovação da política brasileira, não pode apoiar candidato de outro partido. Temos que ter palanque próprio se desejamos ser realmente um partido alternativo", reforçou Palmeira. 

A menos de 300 metros da convenção do PSB, o PSD-RJ se reuniu para aprovar apoio ao governador Pezão. O PSD fluminense não acompanha a aliança nacional com a presidente Dilma e apoia Aécio Neves para presidente. Pezão, o prefeito Eduardo Paes, o ex-governador Sérgio Cabral, pré-candidato ao Senado, e o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Melo, todos dos PMDB, estiveram na convenção do aliado. O PSD integra o movimento "Aezão". O governador Pezão, no entanto, garante que fará campanha pela reeleição de Dilma.(Luciana Nunes Leal)   

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