Beto Barata/AE-27/9/2009
Beto Barata/AE-27/9/2009

PSB age para de novo unir PT e PSDB em Minas

Partido já articula reedição de chapa para reeleger socialista Marcio Lacerda em 2012

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2011 | 23h00

BELO HORIZONTE - O PSB mineiro já começou a trabalhar para reeditar no ano que vem uma aliança entre PT e PSDB em torno da reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda. O presidente da legenda em Minas, Walfrido dos Mares Guia, afirmou na sexta-feira, 1º, que é normal petistas e tucanos apresentarem nomes para uma eventual candidatura própria na sucessão municipal, mas acredita que nenhum dos dois vá abandonar a candidatura de Lacerda, por conta da boa avaliação da administração municipal.

 

Ministro e amigo pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mares Guia negou que sua eleição para a presidência do PSB seja indício de que o PT terá preferência em uma coligação para a sucessão municipal. Nos bastidores, porém, integrantes da legenda, assim como tucanos e petistas, avaliam que esse foi um recado para os que insistem em pressionar o partido principalmente pela vaga de vice.

 

"As pessoas podem, em princípio, pensar isso, mas não é correto", disse. "Nós estamos trabalhando é pela reedição da aliança, tanto com o PT como com o PSDB. O fato de eu ter sido ministro de Lula não significa que o PT vai ter um privilégio. Porque nosso partido, o PSB, apoiou o governo do Aécio e apoia o governo do Anastasia", acrescentou, referindo-se ao ex-governador e atual senador Aécio Neves e ao governador mineiro, Antonio Anastasia, ambos tucanos.

 

Nas últimas semanas, líderes do PSDB e do PT mineiros têm dado declarações de que as duas legendas pretendem lançar candidaturas próprias e não admitem se aliar com os principais adversários no cenário nacional. Mares Guia avalia, porém, que, apesar de legítimas, essas pretensões são apenas jogo de cena. "Qual partido grande não quer ter candidato próprio?", indagou. Mas o presidente socialista acredita que não há risco de os "aliados" terem nomes próprios e dá argumentos: "Vai enfrentar um candidato que você apoia, de um governo do qual participa, correndo o risco de perder no momento em que esse candidato é altamente bem avaliado."

 

O ex-ministro ressaltou que mantém boas relações e já conversa sobre a sucessão com os presidentes dos diretórios mineiros do PSDB e do PT, respectivamente os deputados federais Marcus Pestana e Reginaldo Lopes. Pestana foi secretário adjunto de Mares Guia durante a gestão do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB) e Lopes foi colega de Congresso do socialista, eleito deputado federal em 1998.

 

Mas o socialista adiantou que também pode negociar com os principais líderes dos partidos. "Se precisar conversar com as prateleiras mais altas, que são Aécio (Neves) e (Fernando) Pimentel, não tem problema", afirmou. Foram justamente o ex-governador e o ex-prefeito de Belo Horizonte e atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que articularam a aliança e torno de Marcio Lacerda em 2008.

 

Já com relação à disputa pelo cargo de vice em uma chapa encabeçada pelo atual prefeito, Mares Guia avaliou: "O problema deles (PT e PSDB) não é o nosso. Nós queremos mantê-los na coligação. Agora, o espaço que cada um quer ter, nós vamos negociar daqui um ano", concluiu.

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