Próxima reunião da Unasul tratará da crise alimentar

Uma das próximas reuniões da União Sul-americana de Nações (Unasul) tratará especificamente da crise alimentar mundial. A nova presidente pró-tempore da Unasul, a presidente chilena Michele Bachelet, garantiu que irá chamar um encontro de chefes de Estado nos próximos 90 dias para que o grupo aprove medidas sobre o tema. Mais especificamente, uma posição conjunta dos Países sul-americano sobre o enfrentamento da alta dos preços e a relação com Países fora do bloco.   Em meio às últimas informações relatadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês), de que os preços dos alimentos não irão se reduzir significativamente nos próximos 10 anos, a escassez foi uma das temáticas centrais do encontro desta sexta-feira, 23. "Uma preocupação que temos é que todos os avanços obtidos contra a pobreza no nosso continente podem sofrer retrocessos se não enfrentarmos unidos o alto preço dos alimentos e das fontes de energia", disse Bachelet.   De acordo com a presidente chilena, são problemas internos de comércio na América do Sul que criam os maiores entraves ao acesso ao alimentos na região. "Não temos escassez de alimentos. No conjunto temos uma cesta de alimentos muito positiva. Mas os problemas do comércio local fazem com os alimentos representem apenas 17% do comércio intra-regional", afirmou. "Precisamos de uma voz comum e uma resposta comum a esse problema".     Em seu discurso na abertura do encontro que oficializou a criação da Unasul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também voltou a tocar no tema, ressaltando a importância de uma resposta unida da América do Sul frente à crise alimentar. "Quando a escassez de alimentos ameaça a paz social em muitas partes do mundo, é em nossa região que muitos vêm buscar respostas. Temos consciência das nossas responsabilidades globais, mas não abrimos mão de exercê-las de forma soberana", afirmou Lula.   Interesses   O presidente voltou a reclamar do que considera interesses protecionistas que tentam interferir na região. "Não nos deixamos iludir tampouco pelos argumentos daqueles que, por interesses protecionistas ou motivações geopolíticas, se sentem incomodados com o crescimento de nossa indústria e de nossa agricultura, com a realização de nosso potencial energético", afirmou. "Uma América do Sul unida mexerá com o tabuleiro do poder no mundo. Não em benefício de um ou de outro de nossos Países, mas em benefício de todos". Na próxima semana, Lula irá ao encontro de cúpula da FAO, onde voltará ao tema.   Em nenhum momento do encontro, no entanto, foi citado o possível papel da produção de etanol na questão da escassez e alta do preço dos alimentos. O tema, caro ao anfitrião do encontro, foi relevado pelos demais participantes, apesar do presidente venezuelano, Hugo Chávez, já ter feito críticas explícitas à troca de produção de alimentos por combustíveis.

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