Provas foram obtidas 'por meio ilícito', diz advogado de Valério

Marcelo Leonardo diz que não há citações individuais dos acusados, mas denúncias genéricas

22 de agosto de 2007 | 15h50

Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério e Simone Vasconcelos, iniciou a defesa contestando a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e disse que não há provas contra os acusados e que as provas foram obtidas "por meio ilícito". Como os outros advogados, ele reclamou que não há citações individuais dos acusados, mas denúncias genéricas.  Veja também: Denúncia contra José Dirceu é 'peça de ficção', diz defesa  'O que ele fez além de secretário do PT?', diz defesa de Pereira  Advogado diz que Delúbio é 'homem pobre' e rebate 'quadrilha'  Advogado de Genoino critica procurador em defesa no STF 'Sem governo, mensalão não existiria', diz procuradorDenúncia não revela elo de Dirceu com mensalão, diz defesaRelator do mensalão não poupa acusados em apresentaçãoSTF nega pedido de Jefferson por julgamentos individuaisSTF inicia julgamento dos 40 acusados pelo mensalãoMinistro do STJ defende fim do foro privilegiado a autoridades Quem são os 40 do mensalão  Saiba como o STF vai examinar a denúncia do 'mensalão' Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Veja o flagra de Marinho     O advogado afirma que Antonio citou o nome de Valério mais de 60 vezes na acusação e diz que "em 55 vezes o procurador fala na denúncia em 'o grupo' 'a agência', sem detalhar o que cada um fez, sem descrever a conduta de cada pessoa". "Inúmeras vezes", argumenta o advogado, "já recusaram denúncias genéricas". E citou frase do ministro do STF Gilmar Mendes: "Denúncias genéricas, com imputações vagas, está se violando o princípio da dignidade da pessoa humana". Para ele, a acusação deve ser julgada improcedente.  Na segunda acusação contra Valério, continua o advogado, atribui-se a prática de falsidade ideológica mas, segundo ele, não descreve que documentos, com data, local e características e não diz qual é o conteúdo falso e não diz que a conduta foi praticada para alterar a verdade de fato. "E não é válido dizer que a mulher é laranja do marido se eles fazem declaração de renda juntos e são casados há 25 anos", argumentou. "Os fatos narrados à denuncia se referem exclusivamente aos anos de 2003, 2004 e metade de 2005, dois anos e meio, no máximo, de uma empresa de 25 anos de funcionamento", disse o advogado. E diz que seria necessário dizer quais foram os benefícios obtidos por Valério em troca do repasse de dinheiro.  O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.

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