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‘Provas’ de fraude em live de Bolsonaro são mais do mesmo; leia análise

O que se viu e o que foi exibido, em verdade, foram notícias requentadas e que não levaram a qualquer apuração aprofundada

Alberto Rollo*, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2021 | 22h27

No mínimo uma frustração. Esperava-se provas de fraudes, tão faladas há bastante tempo. Tudo o que se viu e o que foi exibido, em verdade, foram notícias requentadas e que não levaram a qualquer apuração aprofundada. Vídeos feitos por pessoas que dizem ter votado em números que não apareceram ou votos contados sem que se apertasse um segundo dígito. Muitos deles, depois, comprovadamente montados. A mesma internet mostra isso.

Questionamentos sobre andamento na divulgação dos resultados, quando se sabe que num universo de milhões de votos, dependendo da região que entra no somatório, a dianteira pode variar sim. Isso é estatística pura.

Ouvi que as pesquisas diziam que a vitória seria no primeiro turno, e que isso seria indício de fraude porque não aconteceu, quando hoje essas mesmas pesquisas não têm qualquer valor.

Entendi que somente agora, com elementos velhos, foi pedida investigação pela Polícia Federal. O TSE não faz apuração, faz apenas a soma. Quem apura é cada urna, isoladamente, sem ligação com a internet.

O software é feito por servidores concursados do TSE e submetido a fiscalização do Ministério Público, da OAB e dos maiores interessados que são os partidos políticos e os candidatos. São equipes diferentes para fases diferentes. Uma não conhece a programação da outra. Não há como programar uma linha mal intencionada, que trocaria votos ou contaria votos como nulos, sem que isso fosse descoberto bem antes dos programas serem inseridos nas urnas.

O sistema como um todo possui mais de 30 camadas de segurança, como o hacker pode invadir um sistema que não está conectado à internet (?), permite auditorias ao longo da elaboração dos programas, durante e depois do processo eleitoral, pelos partidos políticos que são os maiores interessados, pelos candidatos, pelo Ministério Público, pela OAB (como afirmar que o sistema é inauditável ? inacessível ?), emite a zerézima no início da votação provando que não existem votos computados e no final da votação, emite o boletim de urna, que é a verdadeira apuração. É no boletim de urna que os votos são apurados (por que dizer que é o TSE que faz a apuração a portas fechadas ?). 

O TSE funciona como uma calculadora daquilo que já foi apurado e é transmitido em redes dedicadas, exclusivas e criptografadas. Existe votação paralela, em urnas reais e que são sorteadas, retiradas e substituídas na véspera da votação. O TSE faz teste de integridade, a cada 2 anos, quando convida hackers e técnicos a invadirem e fraudarem o sistema.

Enfim, até hoje, 25 anos depois da implementação do atual sistema, nada foi comprovado. O que fica são fofocas, desinformações, mentiras, que têm algum objetivo. Tomara que não seja o pior para o Brasil. Não foi desta vez que as provas apareceram. O resto é pura retórica.

*ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO ELEITORAL

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