Provão avalia 270 mil formandos amanhã

Aulas aos sábados, simulados que valem parte da nota final, presentinhos para os melhores. Essas foram algumas das estratégias, usadas pelas faculdades paulistas, para que seus alunos se saiam bem amanhã no Exame Nacional de Cursos, o Provão. "Em vez de investir na qualidade do ensino elas arrumam essas saídas", diz o aluno de jornalismo da Universidade Bandeirante (Uniban) Celso Ferrarini. O exame do Ministério da Educação é obrigatório para a obtenção do diploma e vai avaliar mais de 270 mil formandos de 20 cursos. As notas dos alunos formam o conceito, de A a E, de cada instituição.Na Uniban alguns professores usaram suas aulas para responder e analisar questões do exame. "Uma disciplina foi transformada em aula do Provão", conta a aluna Tatiane Romão. Em Direito, as aulas preparatórias foram dadas aos sábados, de março a junho. A estudante Sara Teixeira aprova. "Qualquer apoio é válido para irmos bem no teste." Em 2000, o jornalismo da Uniban teve nota D e o direito, E.O vice-reitor da Universidade Paulista (Unip), Fábio Romeu de Carvalho, explicou que se o aluno vai bem no Provão e depois vai mal na prova da faculdade, é oferecida nova oportunidade a ele. Outras instituições também premiam as melhores notas no exame. Na Universidade São Judas os alunos que tiram A ganham broches de ouro. Já quem estuda na Universidade São Marcos e for o melhor aluno do curso no Provão passa a pagar só metade da mensalidade.Simulado Os alunos da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) iniciam a fase dos simulados, apelidados de "provão interno", no segundo ano de curso. Para quem está próximo de se formar, o teste corresponde a 20% da nota final. Além disso, há aulas de revisão aos sábados. "É preciso melhorar o curso para aumentar a nota da faculdade?, diz L.B., aluno de Economia. O curso sempre tirou B nos exames de que participou.Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Wadson Ribeiro, cerca de 90% das instituições dão aulas preparatórias para o exame. "Se elas garantissem uma boa nota no Provão, o curso perderia a razão de existir", diz Angelo Cortelazzo, pró-reitor de graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), campeã de notas A.

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