'Prova do dolo é que o governo escondeu a manobra', diz Janaina Paschoal

Discurso de advogada à Comissão Especial do Impeachment dedicou apenas minutos finais às pedaladas fiscais

Luísa Martins e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2016 | 21h11

BRASÍLIA - Convidada para falar na Comissão Especial do Impeachment nesta quinta-feira, 28, a advogada Janaina Paschoal, que é uma das autoras do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff,  disse que o governo sabia que as pedaladas fiscais eram ilícitas e por isso as  escondeu. "A prova do dolo é que o governo escondeu a manobra, porque sabia que era ilícita", disse.

O discurso de Janaina se arrastou por quase uma hora até que ela chegasse aos pormenores da denúncia acolhida pelo Congresso Nacional para afastar a presidente Dilma Rousseff. Ela falou sobre sua trajetória profissional, sobre seu estado de saúde, sobre e-mails que recebe da população e só ao final se dedicou às pedaladas fiscais.

Segundo ela, o governo tomou empréstimos em uma operação de crédito por antecipação, algo que afrontaria a Lei de Responsabilidade Fiscal. "Foi lesão ao orçamento e ao decoro. E ela é inocente?", questionou, já rouca.

Dispersão. O discurso de Janaina Paschoal foi interrompido várias vezes pela confusão no plenário, que muitas vezes riu de suas referências. Ela comentou que "não estava bêbada" no vídeo que circulou na internet, de uma fala sua no Largo São Francisco, e chorou ao exaltar a Constituição Federal. "Eu quero que as criancinhas, os brasileirinhos que estão me ouvindo, acreditem que vale a pena lutar por esse livro sagrado e que o PT não assinou".

Janaina foi questionada sobre cargos durante os governos dos tucanos Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso, além de outras relações com o PSDB.

Ela extrapolou o tempo de resposta sem receber muita atenção dos demais senadores e, ao ser interrompida, pediu para continuar porque  estava "defendendo a sua honra". Em resposta, senadores de diferentes siglas reagiram com um sonoro "aaah", em tom irônico de pena.

O clima na comissão é muito diferente do período de apresentação do jurista Miguel Reale Jr., coautor do processo. Sua fala foi ouvida sem interrupções e quando respondeu, brevemente, a algumas perguntas, ele também teve a fala respeitada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.