Protógenes vai entrar com ação de indenização contra a PF

Ele adiantou, porém, que não tem pressa; delegado comandou a operação que prendeu Daniel Dantas

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 18h57

O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, responsável pela prisão do banqueiro Daniel Dantas, afirmou nesta terça-feira, 16, no Recife, que vai entrar com ação judicial de indenização contra a Polícia Federal, que o afastou da operação e do setor de inteligência. "Não por mim, mas pela minha família", disse ele, em entrevista coletiva. "A sociedade recebeu com indignação procedimentos contra mim, contra minha família e contra meus colegas". "Minha intenção é buscar reparação". Ele adiantou, porém, que não tem pressa. O prazo é de 20 anos.  Veja Também: Confira a cronologia da Operação Satiagraha As prisões de Daniel Dantas Os alvos da Operação Satiagraha    Quanto à imprensa - veículos e jornalistas que teriam sido colaboradores do "banqueiro bandido" Daniel Dantas na criação de provas contra ele - o delegado disse que não irá tomar nenhuma atitude. "A imprensa tem que ter liberdade e assumir as responsabilidades futuras", disse. "A maior indenização que recebo da grande mídia que fabricou mentiras é quando encontro leitores que dizem não lêem mais revista Veja, revista Istoé. A reparação está sendo feita pela sociedade brasileira no nível da imprensa". O delegado, que iria participar, à noite, de um debate sobre "Corrupção x Estado democrático de direito" na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), reforçou a defesa de a Polícia Federal vir a se tornar um órgão independente, funcionalmente, administrativamente e financeiramente. "Vou lutar Brasil afora para que isso se torne debate público e a população venha a engrossar fileiras conosco para se fazer da Polícia Federal um órgão independente que vai defender os interesses da sociedade, do País e não de uma minoria". Indagado sobre quem seria o alvo de uma sapatada (a exemplo do jornalista que jogou os sapatos contra o presidente Bush) ele citou a história de um taxista que ficou honrado por transportá-lo, mas disse que ele havia prendido a pessoa errada. O taxista nominou a pessoa - o que ele não fez. Mas deixou claro que a sapatada iria para quem ele deveria ter prendido. "Está no inconsciente coletivo das pessoas", afirmou o delegado. Depois de ter negado que o alvo seria o presidente Lula, Protógenes Queiroz não reagiu quando o presidente estadual do PSOL, Edílson Silva, partido responsável pela sua ida ao Recife, disse que o alvo da sapatada seria o presidente do STF (ministro Gilmar Mendes). Mendes criticou a "espetacularização" da Operação Satiagraha e concedeu hábeas corpus para Daniel Dantas e outros presos na operação. O delegado federal reforçou não ter intenção de entrar na vida política. "Contribuo mais com a sociedade como delegado da Polícia Federal".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.