Protógenes se nega a falar sobre 'grampos' ilegais à CPI

Delegado que comandou Satiagraha disse que seu silêncio estava amparado pelo Código de Processo Penal

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2008 | 15h23

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz , que até recentemente comandou as investigações da Operação Satiagraha, se recusou a responder nesta quarta-feira, 6,  ao primeiro questionamento do presidente da CPI dos Grampos, na Câmara, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que perguntou o que ele sabia sobre suposta realização de interceptações telefônicas ilegais ou quebra ilegal de sigilo telefônico durante o inquérito.  Com a recusa do delegado,  o relator da CPI, Nelson Pelegrino (PT-BA), sugeriu que a reunião da comissão fosse transformada em sessão secreta, para que o policial pudesse dizer o que sabe a respeito. O delegado rejeitou a idéia, afirmando que prefere continuar depondo em audiência pública. Veja também:Protógenes diz que polícia tem que se atualizar para ser eficaz STF nega pedido, e Protógenes irá depor na CPI dos GramposCPI nega pedido de adiamento do depoimento de ProtógenesEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel Dantas Protógenes, ao afirmar que não poderia dar uma resposta, disse que seu silêncio estava amparado pelo Código de Processo Penal, que desobriga testemunhas de falarem sobre assuntos que estejam sob sigilo de Justiça. Acrescentou que a questão das gravações de telefonemas está sob averiguação na 5ª Vara Criminal de São Paulo e consta de ação que tramita em outro foro da Justiça, também em São Paulo. O delegado reafirmou que as investigações da Polícia Federal sobre formação de quadrilha e lavagem de dinheiro começaram em 2004, mas não precisou a data em que começaram a ser feitas interceptações telefônicas. O presidente da CPI insistiu em perguntar sobre interceptações telefônicas ilegais. Pediu que o delegado respondesse apenas com um "sim" ou um "não". Mais uma vez, Protógenes se recusou a falar, amparando-se novamente no sigilo de Justiça e alegando que, se falasse, estaria tratando de algo que foge à sua competência. Logo no início do depoimento, ele afirmou que em momento algum se recusou a vir à Câmara. Ele enfatizou que apenas tentou adiar a reunião por motivos particulares. Em seguida, colocou-se à disposição para responder as perguntas dos parlamentares. A defesa do delegado havia ingressado na terça-feira à noite com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar o depoimento, argumentando que isso atrapalharia o curso que faz na academia de polícia, mas o pedido foi negado. A Operação Satiagraha estava sob comando de Protógenes quando agentes federais prenderam o sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, supeitos de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, depois libertados pelo Supremo Tribunal Federal.  (Com Agência Câmara)

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