Protógenes poderá passar por acareação

CPI vê ?contradições flagrantes? e quer confrontá-lo com Lacerda

Anne Warth e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

A CPI dos Grampos poderá determinar acareação entre os delegados Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha. A CPI identificou "contradições flagrantes" nos relatos de Lacerda e de Protógenes, confrontados com depoimentos de arapongas da Abin.Os dois vão depor novamente à CPI. A ida de Protógenes está marcada para o dia 1º. "A acareação deve ser requisitada para esclarecer pontos ainda obscuros", assinalou o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI.Itagiba avalia que "está muito longe da verdade" o depoimento do ex-diretor da Abin no inquérito da Polícia Federal que investiga vazamento de dados da Satiagraha. "Existe uma contradição muito grande entre o que disse Lacerda e o que contaram os servidores da Abin."Os arapongas revelaram à PF e à CPI dos Grampos que foram mobilizados com "autorização superior" para compor a equipe de Protógenes. Alguns foram escalados para fazer escutas e tiveram acesso ao Guardião, máquina de grampos da PF, utilizando-se de senhas de uso exclusivo dos policiais.À PF, Lacerda admitiu ter dado apoio à Satiagraha. Mas declarou que "nesse apoio não está incluído o acompanhamento de áudios captados pelo sistema Guardião e a transcrição dos áudios". Para Lacerda, "se alguém fez esse tipo de trabalho, omitiu da diretoria da Abin".Ontem, Protógenes afirmou em entrevista ao portal de notícias UOL que "faria tudo de novo, só que com um plus, com mais esforço e com maior número de policiais e agentes da Abin, que muito dignificaram o trabalho da Satiagraha".Protógenes criticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador José Serra, do PSDB. Negou ter grampeado os tucanos. "A manifestação de FHC foi inadequada para um homem público. Ele sabe de suas relações na estrutura do Estado e com o setor privado. Para uma pessoa que não acredita em Deus, é de se esperar esse tipo de atitude", disse.Há duas semanas, FHC afirmou que Protógenes é o "escutador geral da República" e avaliou que o delegado é pessoa com equilíbrio precário.Sem citar denúncias de corrupção na polícia do Estado, que culminaram na queda do secretário de Segurança Ronaldo Marzagão, Protógenes afirmou: "A segurança pública do Estado retrata bem o que é hoje o governo Serra.""Esse indivíduo não está à altura de receber resposta de um governador", reagiu Serra. Em defesa da política de segurança da gestão, citou algumas realizações, entre elas a redução da taxa de homicídio no Estado. COLABOROU FAUSTO MACEDOFRASESProtógenes QueirozDelegado da PF"A segurança pública do Estado retrata bem o que é hoje o governo Serra"José SerraGovernador de SP"Esse indivíduo não está à altura de receber resposta de um governador"

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