Protógenes diz que vai brigar para não ser expulso da PF

Acusado de participar de propaganda eleitoral, delegado afirma que há 'predisposição' para sua condenação

Eduardo Kattah, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2009 | 18h59

O delegado Protógenes Queiroz disse nesta quarta-feira, 13, que vai "resistir judicialmente" à eventual conclusão do processo disciplinar que leve à sua expulsão dos quadros da Polícia Federal. Protógenes acredita que já há "uma predisposição" para sua condenação no processo aberto no dia 03 de abril, em razão da gravação de um depoimento para o candidato do PT à Prefeitura de Poços de Caldas, Paulo Tadeu Silva D'Arcádia, na campanha municipal do ano passado.

 

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Ao afirmar que não tem "tendência" de aceitar uma candidatura em 2010, o delegado disse que já constituiu um advogado e vai brigar para permanecer no cargo. "Embora tem uma minoria, que não é hegemônica, uma minoria estruturada para me demitir do Departamento de Polícia Federal", disse, sem citar nomes. "Eu vou resistir judicialmente e não vou deixar a minha carreira na Polícia Federal e seguir aí uma carreira política."

 

Na mesma linha, classificou como uma perseguição interna seu afastamento da corporação. E reiterou o argumento de que não participou de campanha política ao gravar um depoimento de 29 segundos para o candidato petista, levado ao ar no dia 29 de setembro de 2008. Protógenes alega que num espaço público não poderia se negar a conversar com qualquer servidor que pague seu salário. "Falei como cidadão, como servidor público federal", argumentou. "Não participei de nenhuma campanha de nenhum político."

 

Na entrevista coletiva concedida na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, o delegado disse que sua situação é comparada a uma "luta espartana". Também citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, como personalidades que historicamente foram perseguidas no País. E disse que se sente caracterizado como "símbolo do assédio moral no Brasil".

 

"É um processo de perseguição, que a população brasileira está identificando. Eu recebi com muita indignação esse afastamento prematuro do Departamento de Polícia Federal, sem nenhum tipo de prova", afirmou. "Fui punido de uma forma injusta, de uma forma ilegal".

 

Estudantes

 

Apesar de negar eventual futura candidatura, Protógenes cumpriu na capital mineira uma agenda de entrevistas e depoimentos para entidades sociais e sindicatos. Durante a coletiva, saiu em defesa de uma manifestação realizada nesta quarta pela manhã por estudantes secundaristas e universitários pelo meio-passe no transporte público em Belo Horizonte, que terminou em confusão com a Polícia Militar. "Não deveriam postular a meia passagem, deviam postular a passagem integral".

 

Na sede do Sindicato dos Jornalistas, apenas o deputado estadual Carlin Moura, do PC do B, prestigiou a coletiva. O delegado disse que como servidor público federal afastado, "em aviso prévio", viajou a convite da entidade, que pagou as despesas de transporte e hospedagem.

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