Protógenes diz que prisão de número 2 da PF quer inverter foco

Para delegado afastado da Operação Satiagraha, o foco deve ser a corrupção; ele criticou a nova lei de algemas

Wálmaro Paz, de O Estado de S. paulo,

17 de setembro de 2008 | 16h34

O delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, afirmou nesta quarta-feira, 17, em um ato contra a corrupção, que a prisão do delegado Romero Menezes, segundo homem da Policia Federal ocorrida na última terça, "é uma inversão do foco da discussão necessária à sociedade brasileira". "Está se discutindo a maneira de agir da Polícia e deixando de ver o grande crime social que é a corrupção existente no País", afirmou.  Veja Também:Grampos: Entenda a crise Cronologia e alvos da Operação SatiagrahaNúmero dois da PF é solto após Justiça revogar prisãoAção da Abin e PF não foi entre amigos, diz diretor afastadoDiretor afastado da Abin admite que 56 agiram na SatiagrahaTarso diz que prisão do número 2 da PF foi desnecessária Ele acrescentou não poder falar sobre as acusações contra o delegado Romero Menezes, pois as investigações são secretas: "O que posso afirmar concretamente é que o Eike Batista é associado ao Daniel Dantas". Menos de 24 horas após a prisão, Menezes foi solto por determinação da Justiça.  Protógenes ressaltou que ficou famoso por ter prendido o empresário Daniel Dantas e o ter algemado e mais ainda depois de o Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ter mandado soltar o acusado e legislar sobre a forma de agir da polícia através da súmula vinculante proibindo o uso de algemas. "Agora estão querendo descriminalizar o tráfico de influências". O delegado avaliou ainda que as críticas à maneira de agir da polícia através da súmula vinculante contra as algemas já começou a mostrar resultados. "Na cidade de São Fidelis, no Estado do Rio de Janeiro, ao anunciar uma sentença que condenava a 17 anos um criminoso no Tribunal do Júri, a juíza Juliana Andrade Barichelo teve que se refugiar em uma sala junto com a promotora. O condenado, furioso, avançou contra ela. Foi preciso uma dezena de policiais e agentes penitenciários para conter o criminoso furioso. Ele não estava algemado".  Protógenes enfatizou a necessidade de uma campanha contra a corrupção e lembrou que sua carreira foi marcada por investigar e prender políticos corruptos. "Prendi o presidente da Câmara, o Melão, em São Paulo, o Prefeito Pitta, e o ex-governador Maluf. Todas as instâncias da política estavam presentes nas minhas investigações contra a corrupção", afirmou.

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