Protógenes diz que polícia tem de se atualizar para ser eficaz

À CPI, delegado da Satiagraha disse que o aparato estatal precisa dispor de instrumentos 'fortes e respeitáveis'

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2008 | 16h07

O delegado federal Protógenes Queiroz , ao responder a uma pergunta de um deputado da CPI das Escutas Telefônicas que quis saber se não seria melhor que as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça fossem "mais genéricas", fez uma declaração defendendo a necessidade de se prover o aparato estatal de "maior eficácia", para se agilizar e acelerar as investigações. Ele fez essa declaração antes da suspensão da sessão da CPI para que os deputados comparecessem ao plenário a fim de participar de votação.     Veja também: STF nega pedido, e Protógenes irá depor na CPI dos Grampos CPI nega pedido de adiamento do depoimento de Protógenes Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas   Protógenes afirmou que o aparato estatal precisa dispor de instrumentos "fortes e respeitáveis" e que o Brasil está "muito atrasado" em relação a esse aspecto. Entre os instrumentos que considera necessários, o delegado mencionou interceptações de conversas telefônicas, filmagem, fotografia e toda a tecnologia "que for importante para permitir velocidade e agilidade" nas investigiações. Atualmente, disse, há muita demora em se alcançar eficácia no uso desses instrumentos.   O relator da CPI, deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), pediu que especificasse o que é que está atrasado no aparato estatal. Resposta do policial: "É todo um conjunto, não são só as interceptações. É um arcabouço mais amplo." Acrescentou que, se não houver modernização da estrutura tecnológica da autoridade policial, as grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo, continuarão com altos índices de criminalidade.   Um dos dispositivos em que o delegado insistiu foi a facilidade de acesso da autoridades a dados telefônicos. Disse que a Polícia deve ter a possibilidade de acessso direto, nas operadoras de telefonia, a dados de conversas telefônicas. Pelegrino quis saber se ele estava defendendo a possibilidade de isso ser feito sem autorização da Justiça. Ele respondeu que não, que, para isso, a Polícia "se vale de autorização judicial".

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