Protógenes diz que afastamento da PF é 'injustiça'

Mentor da Operação Satiagraha, o delegado federal Protógenes Queiroz disse hoje que o afastamento de suas funções na Polícia Federal (PF) foi "uma injustiça". Em mensagem publicada em seu blog, Protógenes afirmou que o trabalho de juízes, procuradores e delegados foi colocado sob suspeita, enquanto o alvo da Operação Satiagraha, o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, supostamente envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes financeiros, não recebe mais atenção.

ANNE WARTH, Agencia Estado

15 de abril de 2009 | 13h00

"Sinto-me injustiçado pela inversão de papeis que vem ocorrendo no cotidiano, o que leva a crer que haja, de fato, uma intenção de desmoralização da autoridade policial judiciária. Não só a mim, mas também a outros policiais e autoridades da Satiagraha", afirmou. "Considero que o trabalho de juízes federais, procuradores da República e delegados federais é colocado sob suspeição, enquanto o foco principal, o crime perpetrado pelos investigados do colarinho branco, desaparece das atenções", destacou no blog.

Protógenes foi afastado das atividades da PF por tempo indeterminado no dia 9 de abril. A PF abriu um processo disciplinar para investigar sua participação em um comício político ocorrido no ano passado em Poços de Caldas (MG), no qual ele teria discursado em nome da instituição. A participação em atividades político-partidárias é vedada aos servidores da PF e o processo pode culminar na exoneração do delegado. No ano passado, Protógenes foi afastado das investigações da Operação Satiagraha após acusar a direção da PF de boicote.

Em seu blog, o delegado sugeriu que seu afastamento é mais uma atitude favorável a Dantas e citou uma coincidência de datas - a decisão final sobre seu processo disciplinar sairá no dia 8 de julho, exatamente um ano depois da deflagração da Satiagraha e da primeira prisão de Dantas. "Desta forma, entendo ser uma mensagem direta da organização criminosa, chefiada pelo banqueiro condenado, espalhada no aparato estatal", acusou.

Protógenes declara ainda que seu único consolo é saber que tem o apoio da população brasileira. "Meu alento é saber que a população brasileira não compartilha dessa perseguição sistemática e desenfreada contra minha pessoa", disse. "É por intermédio da minha fé cristã e com esse imenso apoio popular que diariamente renovo minhas forças contra toda injustiça."

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