Protógenes diz não saber quem paga despesas de viagem

Em seu blog, delegado fala sobre reportagem do 'Estado' de que teria usado passagem de cota de deputada

Anne Warth, da Agência Estado

20 de abril de 2009 | 15h20

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz disse nesta segunda-feira, 20,  que não recebe dinheiro para proferir as palestras que tem feito em todo o País desde que ganhou fama ao comandar a Operação Satiagraha, que prendeu, por duas vezes, o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas. Ele ressaltou também que desconhece a forma pela qual as despesas que decorrem dessas atividades, como passagens aéreas e hospedagem, são pagas pelas instituições que o convidam.

 

A manifestação, feita por meio de seu blog, é uma resposta à reportagem publicada na edição de domingo do jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual ele teria utilizado passagens aéreas da quota da deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) para participar de uma palestra na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de um ato contra a corrupção, em Porto Alegre, em novembro, com a presença da ex-senadora Heloisa Helena (PSOL-AL).

 

"Esclareço que sou convidado, com frequência, para proferir palestras em vários pontos do País, tendo sempre como tema meu trabalho cotidiano, ligado ao combate à corrupção e à criminalidade. Nada cobro e nada recebo por essas palestras além das passagens aéreas e, se necessário, a hospedagem, que são fornecidas por aqueles que fazem o convite. Desconheço por quem ou de que forma essas despesas são pagas", diz o delegado.

 

"A nossa participação nas Universidades em palestras é gratuita e não é ligada a nenhum partido político, razão pela qual atendo, na medida do possível, a todos os convites que honrosamente me são formulados, como servidor público cumpridor do meu dever para com a sociedade e o Brasil", continua o texto.

 

O uso de passagens aéreas da Câmara e do Senado não é proibido ou ilegal, mas pode agravar a situação do delegado, que foi afastado de suas atividades na PF por tempo indeterminado no dia 9 de abril justamente por suspeita de participação em atividades político-partidárias, ato vedado a servidores da Polícia Federal.

 

O processo disciplinar investiga se Protógenes teria discursado em nome da PF em comício político ocorrido no ano passado em Poços de Caldas (MG) e pode culminar em sua exoneração. No ano passado, Protógenes foi afastado das investigações da Operação Satiagraha após acusar a direção da PF de boicote.

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