Protógenes disse que ia investigar filhos de Lula, diz Dantas

Dantas disse que suspeita de que governo tenha acuados os interessados na fusão da Oi-Brasil Telecom

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2008 | 18h52

O banqueiro Daniel Dantas afirmou nesta quarta-feira, 13, na CPI que investiga escutas telefônicas clandestinas (CPI dos Grampos), que o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, que comandou a operação Satiagraha, lhe disse que ia investigar os filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Ele disse que ia até o fim ", contou.   Veja Também: 'Não tenho menor dúvida de que fui grampeado', diz Dantas Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas Juiz do caso Dantas nega ter autorizado grampo no STF   Dantas disse que suspeita de que mais uma vez o governo tenha colocado em prática a estratégia de acuar os interessados na fusão da Oi-Brasil Telecom, com o objetivo de manter a BrT com uma das facções do governo. Ele acusou o ex-ministro Luiz Gushiken e alguns de seus colaboradores, de interesses políticos estratégicos na BRT, no momento em que ele vendeu a parte do Opportunity. "Esse interesse continua", acrescentou.   Dantas informou que em 2002 foi avisado de que seria hostilizado pelo governo Lula e que a equipe que assumiria em 2003 iria retomar o controle das teles. Segundo ele, ao longo das conversas, pôde observar que não era todo o governo, mas uma facção que tinha interesse específico no setor de telecomunicações, citando, entre vários nomes, o do ex-ministro Gushiken.   Em relação a Protógenes Queiroz, Dantas informou que o delegado fez algumas recomendações. Citou duas: que não falasse com a imprensa e que não trouxesse para o Brasil o relatório da Justiça Italiana sobre a disputa do controle societário da Brasil Telecom. Segundo ele, o delegado disse que esse material já tinha sido apurado e não era verdadeiro.   Conforme explicações de Daniel Dantas, o relatório da Justiça Italiana traz a suspeita de que a Telecom Itália teria instrumentalizado pessoas ligadas à PF e Abin. Segundo o banqueiro, essas pessoas teriam invadido correspondência do grupo Opportunity. O relatório conta ainda, de acordo com Dantas, que teriam sido distribuídos 25 milhões de Euros a pessoas no Brasil para impedir que seu grupo continuasse como sócio da BrT.

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